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MEMÓRIA

Morre coveiro que localizou Vala de Perus com restos mortais de desaparecidos políticos da ditadura militar

Antonio Pires Eustáquio, o senhor Toninho Foto: Reprodução

07 de maio de 2026 - 10h48

Por Lúcia Rodrigues

Faleceu Antonio Pires Eustáquio, o Toninho, coveiro do Cemitério de Perus que localizou a Vala Clandestina onde foram enterrados os corpos de desaparecidos políticos pela ditadura militar.

O ex-presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo, Adriano Diogo, lamenta a morte de Toninho.

“Foi um grande heroi do povo brasileiro, sem o devido reconhecimento. Esse homem merece uma estátua. Desnudou a ditadura. Foi a descoberta mais importante sobre os crimes da ditadura”, enfatiza Diogo.

E critica: “Quantas valas ainda existem no Brasil, que não foram descobertas. Por que o governo brasileiro é tão covarde, que não permite a abertura dos arquivos da ditadura”.

História do Brasil

Com a abertura da Vala, em setembro de 1990, foram encontradas 1049 ossadas, que hoje estão sob a guarda do CAAF, o Centro de Arqueologia e Antropologia Forense da Unifesp, a Universidade Federal de São Paulo, coordenado pelo professor Edson Teles, filho da ex-presa política Amelinha Teles.

A degradação em que foram encontrados os remanescentes ósseos tem dificultado o processo de identificação das ossadas.

Apenas seis desaparecidos políticos encontrados na Vala foram identificados até o momento: Aluizio Palhano Pedreira Ferreira, Dênis Casemiro, Dimas Antônio Casemiro, Flávio Carvalho Molina, Frederico Eduardo Mayr e Grenaldo de Jesus da Silva.


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