Mais de mil psicanalistas assinam manifesto de apoio à reeleição de Lula em menos de 24 horas
23 de outubro de 2026 - 15h51
Da redação
Manifesto organizado pela psicanalista Ana Lepsch, do Instituto Sedes Sapientiae, que defende o apoio ao presidente Lula no segundo turno das eleições deste domingo, 25, teve a adesão de mais de 1.000 psicanalistas em menos de 24 horas.
Nomes conhecidos da área, como Christian Dunker, Maria Rita Kehl e Vera Iaconelli são alguns dos que firmaram suas assinaturas no documento.
Leia íntegra do texto abaixo e clique aqui para ver quem assina.
“O manifesto
Nós, psicanalistas abaixo-assinados, reafirmamos nosso compromisso com a democracia, os direitos humanos, a justiça social e a dignidade da vida. Neste segundo turno das eleições presidenciais de 2026, declaramos nosso apoio às candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin.
Nossa posição parte do reconhecimento de que a democracia não é apenas um regime político, mas uma conquista civilizatória que precisa ser permanentemente defendida, construída e ampliada.
01 A lição da psicanálise
A psicanálise nos ensina que a vida em sociedade é atravessada por conflitos, contradições e antagonismos, afetos diversos, amor, ódio, agressividade, sublimações, que pedem tempo para processamentos, elaborações e transformação. Em “O Mal-estar na Civilização”, Freud nos lembra que a convivência humana exige a construção de limites à violência e à arbitrariedade do poder. A democracia não suprime os conflitos, mas cria condições para que possam ser expressos e enfrentados sem que a força se sobreponha à palavra e aos direitos.
“A democracia não suprime os conflitos, mas cria condições para que possam ser expressos e enfrentados sem que a força se sobreponha à palavra e aos direitos.”
02 O sofrimento tem condições concretas
Como psicanalistas, sabemos que o sofrimento psíquico não pode ser dissociado das condições concretas de existência. O racismo, as desigualdades sociais, a violência de gênero, a precarização do trabalho, a fome, a discriminação e a insegurança material produzem sofrimento, comprometem os vínculos sociais e restringem as possibilidades de vida.
Defender a saúde mental é, portanto, defender o Sistema Único de Saúde, a Rede de Atenção Psicossocial, a educação pública, a moradia, a alimentação, o trabalho digno, a cultura, a diversidade e o direito de todas as pessoas a uma existência livre de violência e discriminação.
03 Nada está garantido
Sabemos que nenhuma eleição encerra as lutas por uma sociedade mais justa. Tampouco acreditamos que a democracia esteja garantida de uma vez por todas. Ela exige vigilância, participação, responsabilidade coletiva e disposição permanente para enfrentar as estruturas de desigualdade e opressão.
Neste momento histórico, em que estão em disputa não apenas projetos de governo, mas as próprias condições de sustentação da vida democrática, não podemos nos omitir.
04 O que defendemos
Defender a democracia é defender o direito à diferença, a liberdade de pensamento, a possibilidade de discordar sem ser perseguido e a construção de um mundo em que a palavra não seja substituída pela violência.
É afirmar que nenhuma autoridade está acima da lei, que nenhum projeto político justifica a supressão de direitos e que nenhuma vida pode ser considerada descartável.
05 Por tudo isso
Por tudo isso, neste segundo turno, afirmamos nosso compromisso com a democracia, com os direitos e com a vida.
Não se trata apenas de resistir à destruição, mas de sustentar a possibilidade de imaginar e construir outros futuros, mais justos, plurais e solidários.”



