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VENCEMOS

Derrotamos a milícia, e o vigarista traidor da pátria fugiu da democracia

28 de outubro de 2026 - 16h58

Por Lúcia Rodrigues

Acordamos do pesadelo!

Mas a fuga do miliciano covarde e traidor da pátria faz subir o alerta de que é preciso continuarmos mobilizados, porque o inimigo continua à espreita para tentar dar o bote.

Esta eleição foi para os fortes.

Foi preciso nervos de aço para suportar a montanha russa emocional a que fomos submetidos nas três semanas que separaram o primeiro do segundo turno que consagrou Luiz Inácio Lula da Silva presidente do Brasil pela quarta vez.

A vitória mais expressiva e significativa de todas as já conquistadas.

Foram 64.256.232 de votos, muitos deles depositados por idosos, carregados por filhos e netos ou em cadeiras de rodas, que saíram de suas casas para evitar que o país caísse nas mãos de uma ditadura miliciana fascista.

As imagens são tantas e tão lindas, que passa um filme na cabeça em velocidade acelerada.

Quem não estava em transe hipnótico bolsonarista fez tudo o que pôde para evitar o desastre.

E como de virada é mais gostoso. E o jogo só termina quando acaba. Nosso time correu literalmente para reverter o placar.

Quem estava na frente achou que já podia nomear ministros e sentar na cadeira antes do encerramento da partida.

Só não contava que o segundo tempo seria outro, mesmo com o juiz apitando a favor dele.

Como a torcida do Corinthians, que empurra o timão nas piores situações, o Brasil se uniu para derrotar o miliciano que se preparava para tesourar os direitos do povo.

Para enfrentar Voldemort, teve até gente da Sonserina que se juntou a nós.

O mal tinha de ser combatido com todas as forças. Não era possível prescindir de ninguém.

Mas a faísca que incendiaria o país e levaria à vitória surgiu em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, com os estudantes da Faculdade de Direito da UFF, a Universidade Federal Fluminense, que foram para a rua menos de 24 horas após Lula ter ficado em segundo lugar no primeiro turno.

A rebeldia típica da juventude que não aceita ficar inerte frente ao perigo, contagiou estudantes de todo o país.

Na sequência vieram as manifestações dos alunos UFPE, a Universidade Federal de Pernambuco, e da UFPA, a Universidade Federal do Pará, e demais universidades públicas do país.

Mas teve também a participação de estudantes das particulares, como os do Mackenzie, em São Paulo, que tiveram uma assembleia de apoio a Lula proibida de ser realizada no campus da universidade pela reitoria, e transferiram a manifestação para a rua.

Lotaram a Maria Antonia e saíram em passeata pelo centro da cidade.

A UNE, a União Nacional dos Estudantes, voltou a protagonizar passeatas gigantescas como no combate à ditadura militar e no Fora Collor.

As ruas do Brasil se transformaram em um tsunami humano vermelho.

O verde e amarelo seria incorporado com a entrada em campo do general minerim, André Janones, comandante do Exército do Lula, que liderou a comunicação digital nas redes.

Pessoal, urgente! Explode esse vídeo!

Quantas vezes ouvimos esse bordão, às vezes no meio da madrugada. E lá iamos nós explodir os vídeos em todas as redes que tinhamos e na que não tinhamos, criávamos.

As ruas comandadas pelos estudantes e as redes, por Janones, deram um novo ímpeto à campanha. Foi recuperado o significado da palavra coletivo.

Ficou patente que juntos somos fortes, coisa que o individualismo neoliberal ficou por décadas tentando apagar da mente das pessoas.

E justamente por saber que um mais um é sempre mais que dois, como na canção O Sal da Terra, que lá fui eu engrossar o Ato pela Democracia, na Praia de Copacabana, convocado pelo menino de 84 anos, Caetano Veloso.

Da rodoviária do Tietê para a rodoviária Novo Rio, com direito a busão do Terminal Gentileza para Copa. Uma festa vermelha, verde e amarela ao grito uníssono de Olê, Olê, Olê, Olá, Lula, Lula, que contagiava até quem não ia para a manifestação.

Mas como nem tudo são flores e o bolsonarismo é puro ódio e ressentimento, quando uma multidão tentava atravessar a Barata Ribeiro já perto do Posto 5, um motorista bolsonarista acelerou e jogou o busão contra nós.

Não conseguiu fazer strike. Fomos mais ligeiros e pulamos para trás.

Ele provavelmente nunca saberá o que é poder se manifestar à beira do mar ao som de Gente é Pra Brilhar e não pra morrer de fome.

E o que dizer das duas manifestações gigantescas que ocorreram na Paulista no segundo turno.

A primeira já havia transformado a mais paulista das avenidas em um mar de gente, com pessoas chegando em vagões do metrô lotados, abarrotando plataformas e estações. E contagiando com o característico Olê, Olê, Olê, Olá, Lula, Lula, quem até aquele momento ainda não era eleitor de Lula.

Mas foi a manifestação do último sábado em São Paulo a mais monumental de todos os atos já realizados no nosso país.

A Paulista foi tomada por um tsunami humano de cabo a rabo, que impressionou até a mim, frequentadora assídua de manifestações desde os tempos da faculdade.

Posso dizer seguramente que nada se assemelha ao que vi e vivi na Paulista no último sábado. Foi simplesmente estrondosamente fenomenal.

É arrepiante ajudar a escrever uma página tão linda de nossa história.

Disseram que a GloboNews falou que éramos dois milhões de pessoas.

Acho que éramos mais.

Mas ainda havia um país para salvar do fascismo miliciano.

Da Paulista para a ZL, em busca de conhecidos que eu descobri que não tinham votado no primeiro turno.

Rolou uma lágrima no canto do olho ao saber que consegui preciosos votos para o Lula.

Mas ainda tinha mais por fazer. A batalha decisiva estava agendada para o dia seguinte.

E às 8 da manhã lá estava eu na fiscalização das urnas na escola que estudei desde criança.

Dali só arredei pé às 19h.

Com os boletins de urna na mão, fiz a totalização dos votos que indicavam que havíamos vencido a eleição no bairro.

Quando o miliciano virou a apuração, rojões explodiram no ar.

Tem nada não, a gente vira logo ali adiante e mantém a dianteira.

Dito e feito. Viramos e ganhamos.

E o choro de alegria explodiu com a proclamação da vitória de Lula.

Ainda tinha a comemoração na Paulista. Mas nessa, extenuada que estava, não consegui ir.

Mas a passagem para a posse em Brasília já tá garantida.

Lula lá, brilha nossa estrela.


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