USP entrega diplomas honoríficos de estudantes da Física mortos pela ditadura militar
16 de outubro de 2025 - 19h41
Da redação
O Instituto de Física da USP (Universidade de São Paulo) vai entregar os diplomas honoríficos de seus três estudantes que não puderam terminar o curso devido a repressão da ditadura militar.
Os familiares de Jeová Assis Gomes, José Roberto Arantes de Almeida e Juan Antônio Carrasco Forrastal vão receber os documentos de seus parentes no dia 3 de novembro, às 17h, no Auditório Abraão de Moraes, no prédio da Física.
Jeová e José Roberto também militaram no movimento estudantil. Zé Roberto foi inclusive vice-presidente da UNE, a União Nacional dos Estudantes.
Com o fechamento do regime, os dois partiram para a luta armada. Foram combatentes da ALN, a Ação Libertadora Nacional, e posteriormente do Molipo, o Movimento de Libertação Popular.
Juan Antônio, boliviano de La Paz, não tinha nenhum envolvimento com o movimento estudantil nem com organizações de esquerda. Mesmo assim foi preso pela ditadura.
Os três foram brutalmente torturados pela repressão.
Cuba
Posteriormente, Jeová e José Roberto foram para Cuba fazer treinamento guerrilheiro.
De volta ao Brasil, entraram no radar de monitoramento do regime.
A Comissão Nacional da Verdade encontrou o relatório Operação Ilha, do SNI, o Serviço Nacional de Informação, que revela que a ditadura pretendia exterminar todos os integrantes do grupo que haviam treinado em Cuba.
José Roberto e o companheiro de organização Aylton Adalberto Mortati foram os dois primeiros guerrilheiros do Grupo da Ilha a serem assassinados.
Morreu sob tortura, em novembro de 1971, no DOI-Codi de São Paulo, após ter sido preso no aparelho da organização, na rua Cervantes, na Vila Prudente, zona leste da capital paulista.
A versão oficial alegava que José Roberto havia sido morto em tiroteio com as forças de repressão. Mas as marcas no corpo desmentiram a ditadura e apontaram que a morte havia sido sob tortura.
Jeová foi executado por agentes do DOI-Codi, em janeiro de 1972, em Goiás, atualmente Estado do Tocantins. Engrossa até hoje a lista de desaparecidos políticos.
As sequelas físicas e psicológicas provocadas pela ditadura militar foram permanentes em Juan Antônio. Ele se suicidou em Madri, na Espanha, em outubro 1972.
Veja a seguir a foto dos três estudantes que integram o acervo do Memorial da Resistência.

Jeová Assis Gomes (1943-1972)

José Roberto Arantes de Almeida (1943-1971)

Juan Antonio Carrasco Forrastal (1945-1972)
Serviço
Diplomação honorífica dos estudantes do Instituto de Física da USP mortos pela ditadura militar
Quando: Segunda-feira, 3 de novembro, às 17h.
Onde: Auditório Abraão de Moraes do Instituto de Física da USP, localizado na rua do Matão, 1.371, Cidade Universitária, Butantã.



