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MEMÓRIA

Quase 50 anos após morte de JK, dados que podem derrubar tese de acidente na Dutra ainda não foram publicizados, segundo petição

O presidente Juscelino Kubitschek na inauguração de Brasília Foto: Arquivo Público do Distrito Federal

06 de maio de 2026 - 08h55

Da redação

No próximo dia 22 de agosto, a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek na Via Dutra completa 50 anos.

Cinco décadas depois, as circunstâncias da morte continuam sem uma conclusão definitiva.

A versão oficial da ditadura militar de que foi um acidente automobilístico é contestada.

O secretário particular de JK, Serafim Melo Jardim, e os ex-presidentes das comissões da Verdade do Estado de São Paulo, Adriano Diogo, da cidade de São Paulo, Gilberto Natalini, e de Minas Gerais, Robson Sávio Reis Souza, querem a publicização de uma investigação que comprovaria que não se tratou de acidente, mas de um atentado da ditadura militar.

A reivindicação é encaminhada em uma petição à ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello dos Santos, e à presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Eugênia Gonzaga.

No documento que será entregue nesta quarta, 6, é ressaltado que o Opala em que estava JK e seu motorista, Geraldo Ribeiro, que à época já dirigia para o presidente há 36 anos, não foi abalroado pelo ônibus da Viação Cometa dirigido por Josias Nunes de Oliveira.

“Numerosos elementos de prova foram sendo revelados e conectados, trazendo a certeza de que a versão da ditadura sobre o ocorrido não merece qualquer confiança e jamais poderia ser assumida, pelo povo brasileiro, como a verdade sobre nosso passado”, diz trecho da petição. Em outra passagem, acrescenta: “Assim como mentiram deliberadamente sobre Zuzu Angel, sobre Herzog, sobre Fiel Filho e sobre tantos outros, a ditadura produziu mentiras e fraudes sobre a morte de JK”.

Em 2013, a Comissão Municipal da Verdade de São Paulo já havia concluído que JK fora assassinado pela ditadura.

“Após nove meses de investigação, analisando documentos e ouvindo dezenas de especialistas e testemunhas, a comissão concluiu que JK e seu motorista foram assassinados, vítimas de conspiração, complô e atentado político”, frisa trecho de reportagem da revista da Câmara Municipal de São Paulo.

As comissões estaduais da Verdade de São Paulo e de Minas também apontaram indícios de que não se tratou de acidente.

Mas o relatório final da Comissão Nacional da Verdade de 2014 concluiu que não haviam provas de que JK tinha sido executado em um atentado da ditadura.

Os proponentes do documento que será entregue ao governo solicitam a ampla divulgação do laudo pericial feito pelo engenheiro e Mestre em Engenharia de Transportes pela Escola Politécnica da USP, a Universidade de São Paulo, Sérgio Ejzenberg, que apontaria para a farsa montada pelo regime ditatorial para justificar a morte de JK.


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