Movimentos de moradia pressionam Prefeitura de SP a desembargar obra de mutirão para 500 famílias na zona leste
02 de junho de 2026 - 16h44
Da redação
Trabalhadores ligados ao Movimento Sem Terra da Leste 1 e à União dos Movimentos de Moradia realizaram uma manifestação nesta terça-feira, 2, no centro de São Paulo, para protestar contra o prefeito, Ricardo Nunes (MDB), que embargou as obras de 500 moradias na zona leste da cidade, construídas em regime de mutirão.
Eles caminharam do Theatro Municipal até a sede da Prefeitura para denunciar o ataque de Nunes que, segundo o Movimento, teria cedido ao lobby do Polo Petroquímico de Capuava, que fica em Santo André na divisa com São Mateus, em São Paulo, onde estão as obras dos mutirões Dorothy Stang e Martin Luther King, que vão beneficiar as 500 famílias.
Ainda de acordo com o Movimento, o Polo não quer as famílias em seu entorno e teria utilizado o Consórcio Intermuncipal do ABC para convencer Nunes a embargar as obras, que já possuem alvará para a execução da construção, expedido pela própria Prefeitura de São Paulo, além de terem o aporte financeiro do governo federal pelo programa Minha Casa Minha Vida.
“A área é bem limítrofe e prejudicaria muito a permanência das companhias, que são geradoras de riqueza, emprego e renda para o Grande ABC”, declarou o presidente do Consórcio e prefeito de Ribeirão Pires, o bolsonarista Guto Volpi (PL), ao jornal Diário do Grande ABC, em março deste ano.
A controladora do Polo é a Braskem, que comprou o complexo petroquímico em 1994 durante o processo de privatização realizado no governo do presidente Itamar Franco.
Após a manifestação, uma comissão de trabalhadores foi recebida por representantes da Prefeitura.
“Insistem que o alvará não está válido. E nós mostramos que está. Pedimos que se estabeleça uma mesa com todos os atores envolvidos. E eles se comprometeram a marcar a reunião. Não é o resultado que queriamos, mas é um passo”, frisa a militante do Movimento Sem Terra da Leste 1, Evaniza Rodrigues.
Assista o vídeo com a luta dos dois mutirões que se estende há mais de uma década.
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Veja também a explicação do advogado popular Edilson Mineiro a respeito do caso.



