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CINEMA EM CASA

Eu Sou Cuba retrata como opressão de ditadura bancada por Estados Unidos foi decisiva para apoio da população à Revolução

Cena do filme Eu Sou Cuba Foto: Reprodução

05 de julho de 2026 - 13h28

Por Lúcia Rodrigues

O espetacular Eu Sou Cuba, do diretor soviético georgiano Mikhail Kalatozov, é uma ode ao triunfo da Revolução Cubana.

Lançado em 1964 no bojo da Guerra Fria, a co-produção soviético-cubana só pôde ser conferida no Ocidente nos anos 1990.

Mais de três décadas após seu lançamento, em 1995, foi indicado ao Independent Spirit Award de Melhor Filme Internacional. Em 2026, O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, ganhou a estatueta na mesma categoria.

Na magistral direção de fotografia de Sergey Urusevsky, cujo trabalho de câmera impressionou ícones do cinema hollywoodiano, como Martin Scorsese e Francis Ford Coppola, são entrelaçadas quatro histórias de uma Cuba violentada pela repressão feroz e a extrema pobreza impostas pelo regime ditatorial de Fulgencio Batista apoiado pelos Estados Unidos.

Sua exibição neste momento histórico reforça a importância da defesa de Cuba frente aos novos ataques imperialistas, liderados por Donald Trump e Marco Rúbio, mas que na verdade nunca cessaram desde o triunfo da Revolução, em 1° de janeiro de 1959.

O bloqueio imposto há quase 65 anos funciona como um torniquete, que ano após ano é apertado cada vez mais.

Mas a Cuba da película mostra o desprezo e desrespeito com que os estadunidenses viam o país e tratavam seu povo antes mesmo da Revolução.

E foi justamente isso que uniu a população em torno dos guerrilheiros da Sierra Maestra na libertação da Ilha do jugo opressor.

Uma das falas da narração exprime bem o sentimento de um povo que pegou em armas para se libertar: “Você não atira para matar. Você atira no seu passado. Você atira para proteger seu futuro”.

O único senão em todo o filme é justamente a dublagem para o russo, com a voz sobreposta aos diálogos em espanhol entre os personagens.

A técnica incomoda os ouvidos não acostumados a esse tipo de recurso, usado com frequência na Rússia para produções estrangeiras.

A primeira vez que constatei esse tipo de dublagem sem retirar totalmente a voz da produção internacional foi na cidade de Stalingrado, ao assistir a um capítulo da novela A Escrava Isaura, produção dos anos 1970 da Rede Globo.

Ouvir Lucélia Santos com a voz semi-abafada por uma dublagem em russo, me surpreendeu.

Mas Eu Sou Cuba é tão fantástico que esse detalhe não diminui a importância da qualidade do filme e do registro histórico de um tempo, que o imperialismo insiste em querer trazer de volta.

No entanto, a dignidade e resistência de um povo que combateu a opressão no passado, dá mostras de que tem disposição para lutar novamente contra as agressões a sua pátria.

Eu Sou Cuba, com legendas em português, pode ser assistido no YouTube, até às 19h desta segunda-feira, 6, clicando no link abaixo.


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