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MEMÓRIA

Ato em cemitério do Rio onde foi encontrada vala clandestina com desaparecidos da ditadura marca Dia Internacional contra Tortura

Memorial Tortura Nunca Mais no Cemitério Ricardo de Albuquerque Foto: Divulgação

25 de junho de 2026 - 22h43

Por Lúcia Rodrigues

O Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro realiza ato no Memorial do Cemitério Ricardo de Albuquerque, na zona oeste da capital carioca, nesta sexta-feira, 26, às 9h30, para marcar o Dia Internacional de Luta Contra a Tortura.

Erguido no local onde foi encontrada uma vala clandestina com restos mortais de desaparecidos políticos mortos pela ditadura militar, o Memorial é uma homenagem às vítmas da repressão.

Estudantes de escolas de segundo grau da região foram convidados para participar da manifestação que também vai reunir familiares de mortos pelo regime ditatorial, segundo a professora universitária aposentada Cecília Coimbra, do Grupo Tortura Nunca Mais, que atuou para a identificação dessas ossadas.

“É um ato pedagógico que vai mostrar o esforço de um grupo que nunca teve financiamento, que sempre viveu de doações e praticamente sem respaldo nenhum, conseguiu saber o destino de 14 companheiros assassinados pela ditadura e que tiveram seus corpos ocultados. Vou falar sobre como a pesquisa (que levou à localização das ossadas) foi feita”, ressalta.

Ela ouviu boatos de que militantes políticos contra a ditadura haviam sido enterrados como indigentes no Cemitério Ricardo de Albuquerque. E resolveu checar.

Junto com Romildo Maranhão do Vale, irmão do desaparecido político Ramires Maranhão do Vale, foram consultar os livros de assentamento de mortes no cemitério.

Apesar de terem sido enterradas como indigentes, havia pistas que afunilavam para a localização e identificação das vítimas.

No caso de Ramires, o irmão Romildo verificou que havia quatro pessoas que foram sepultadas na data que batia com as mortes do irmão e de outros três companheiros de organização.

A evidência se tornou ainda mais concreta quando uma das vítimas era mulher. O local das mortes dos quatro também batia com os dados do livro do cemitério.

“Encontramos de cara, no primeiro dia (de pesquisa), o Ramires Maranhão do Vale, o Vitorino Moitinho, a Ranúsia Alves Rodrigues e o José Silton Pinheiro”, relembra.

Cecília ressalta que posteriormente cruzaram informações do cemitério com dados do IML.

“Alguns desses nomes tinham escrito no atestado de óbito: traidor, inimigo da pátria. Eles sabiam quem estavam enterrando, embora enterrassem como indigentes, sabiam que eram militantes”, frisa.

Eles também conseguiram localizar fotos desses desaparecidos políticos post mortem.

“A sensação que se tinha era a de que o fotógrafo era de esquerda, porque mostrou detalhes do braço, do peito, da coxa com as marcas de tortura. As fotos mostravam as marcas de tortura, os laudos da necrópsia, não”, enfatiza.

Além dos 14 desaparecidos políticos localizados por membros do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, a Comissão Nacional da Verdade localizou mais duas vítimas.

Os nomes de Almir Custódio de Lima, Felix Escobar Sobrinho, Getúlio D’Oliveira Cabral, Joel Vasconcelos, José Bartolomeu Rodrigues da Costa, José Gomes Teixeira, José Raimundo da Costa, José Silton Pinheiro, Luiz Guillardini, Lurdes Maria Wanderley Pontes, Mário de Souza Prata, Merival Araújo, Ramires Maranhão do Vale, Ranúsia Alves Rodrigues, Vitorino Moitinho e Wilton Ferreira são homenageados no Memorial de Ricardo de Albuquerque.


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