Grupo neonazista português planejou atentados contra políticos, jornalistas e até humoristas; policial é líder do grupo
19 de junho de 2026 - 12h32
Da redação
O grupo neonazista português Movimento Armilar Lusitano (MAL) planejava uma série de atentados terroristas contra uma lista de mais de 120 pessoas, do espectro de esquerda à direita, revelam investigações do Ministério Público, divulgadas nesta quinta-feira, 18.
Políticos, jornalistas, artistas, cantores e até humoristas compunham a lista classificada como indesejáveis para os interesses nacionais e do grupo de extrema direita.
O agente da PSP, Polícia de Segurança Pública, em Lisboa, Bruno Gonçalves, é um dos líderes do grupo neonazista. Ele era o responsável pelo treinamento dos membros do MAL, que recrutava integrantes entre as forças policiais e militares do país.
Formado inicialmente como um grupo anti-imigração, a partir da chegada de refugiados sírios a Portugal, logo se espraiou para o combate a coletivos anti-racistas, feministas, ciganos, judeus, LGBTQI+ e partidos de esquerda e centro esquerda.
Descoberta pelo Ministério Público, a lista de indesejáveis revela, no entanto, que até mesmo políticos da direita portuguesa entraram no radar desses neonazistas.
O MAL planejou jogar uma granada na casa do primeiro-ministro direitista, Luís Montenegro. Por ser policial, Gonçalves conseguia com facilidade o endereço dos alvos.
“Sequestro é para esquecer, mas uma granada de 37mm disparada por uma janela adentro não está fora da ementa”, diz o policial em uma das muitas conversas trocadas com parceiros nas redes Signal e Telegram, e que fazem parte das 700 páginas que compõem o processo contra o grupo.
Os ex-presidentes da República Marcelo Rebelo de Sousa e Anibal Cavaco Silva, além do prefeito de Lisboa, Carlos Moedas, todos de direita, também estavam na mira do grupo de extrema direita.
Sobre Rebelo de Sousa, à época ainda presidente da República, mensagem trocada por membros do MAL revela que a morte do político foi suscitada.
“O que merece este filho da puta?”, pergunta um dos neonazistas. Ao que outro responde: “Destituído da presidência e enterrado bem fundo ou matá-lo em público para dar o exemplo”.
O socialista e ex-primeiro-ministro António Costa, e atual presidente do Conselho Europeu, era outro dos alvos do grupo neonazista.
Partidos políticos como o PCP, Partido Comunista Português, Bloco de Esquerda, Livre e PAN, Pessoas, Animais e Natureza, também estavam no radar neonazista.
A Associação 25 de Abril, defensora da Revolução do Cravos, era outra sob a vigilância do MAL.
Nove neonazistas, entre eles o policial Bruno Gonçalves, foram acusados de terrorismo pelo Ministério Público.



