Ato de bolivianos em SP pede renúncia de Paz e revogação de lei que autoriza Forças Armadas a reprimirem protestos
12 de junho de 2026 - 09h34
Da redação
Bolivianos que vivem no Brasil, apoiados por movimentos sociais, realizam ato de solidariedade aos protestos populares contra o governo de Rodrigo Paz, neste domingo, 14, em frente ao Masp, o Museu de Arte de São Paulo, na avenida Paulista, 1.578, a partir do meio-dia.
Os manifestantes pedem a renúncia do presidente de direita e a revogação da lei de exceção, aprovada recentemente, que entre outros ataques à população, autoriza as Forças Armadas a reprimirem protestos.
As manifestações multissetoriais, que reúnem camponeses, professores, mineiros entre outros, têm tomado as ruas da Bolívia há mais de 40 dias.
Os baixos salários, a inflação, a promulgação da lei de terras que favorece o agronegócio em detrimento do pequeno agricultor e a reforma da Constituição do Estado Plurinacional, estão entre os principais fatores da eclosão dos protestos e de sua manutenção.
A Federação Camponesa Túpac Katari, apoiada pela COB, a Central Operária Boliviana, encabeça os bloqueios às rodovias do país.
Paz afirma, no entanto, que as manifestações são organizadas pelo narcotráfico. E conta o apoio dos Estados Unidos na criminalização aos protestos.
O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, já declarou em sua rede social que “a Bolívia não deve se permitir cair na armadilha do antigo status quo de domínio narcoterrorista na região”.
E acrescentou: Continuaremos a apoiar nossos parceiros da Coalizão Contra o Cartel das Américas, como a Bolívia, para garantir que os narcoterroristas sejam dissuadidos de lucrar com a morte e a destruição em nosso hemisfério”.
Pelo menos 10 pessoas foram mortas desde o início dos protestos contra o governo. A repressão também já prendeu mais de três centenas de manifestantes.
O secretário executivo da Federação de Conselhos de Bairros de La Paz, Justino Apaza, a dirigente da Federação de Camponeses de Cochabamba, Yesenia Varga, e a ex-senadora do MAS, partido de Evo Morales, Simone Quispe, são alguns dos presos pelo governo Paz.
Ele está no cargo há pouco mais de sete meses, assumiu em 8 de novembro do ano passado, e vem descumprindo as promessas de campanha.



