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TRADIÇÃO ESCRAVISTA

Debate na USP da Maria Antonia quer pressionar Volks a pagar indenização por trabalho escravo

Detalhe da logomarca da Volkswagen na fachada da Companhia Foto: Divulgação

29 de outubro de 2025 - 22h18

Da redação

Pouca gente sabe da ligação da Volkswagen com o nazismo e de seu apoio na sustentação da ditadura militar. Mas a montadora alemã tem uma história sombria que indigna qualquer um que não compactue com o arbítrio.

Na Alemanha de Hitler, para atender à demanda nazista no esforço de guerra, a Volks foi uma das primeiras empresas a utilizar mão de obra escrava em suas fábricas.

Aproximadamente 20 mil prisioneiros de campos de concentração nazistas foram escravizados em suas plantas fabris.

Em 1944, soviéticos e judeus representavam em torno de dois terços da força de trabalho da Volkswagen.

Tradição escravista

O histórico escravista foi trazido para o Brasil. A Comissão Nacional da Verdade a partir de denúncias de trabalhadores, revelou que a Volks utilizou mão de obra escrava em sua fazenda Vale do Rio Cristalino, no sudeste do Pará.

E em agosto deste ano, a Companhia foi condenada pela Justiça do Trabalho a pagar R$ 165 milhões em indenização por danos morais coletivos, por ter mantido nessa fazenda, entre os anos de 1974 e 1986, trabalho análago a escravo.

A Volks não aceitou a condenação e recorreu. “Não quer pagar, está protelando”, critica, o ex-metalúrgico e coordenador do IIEP, Sebastião Neto.

Ele conta que organizou a mesa-redonda que vai ocorrer nesta quinta, 30, às 16h30, no Salão Nobre da USP da Maria Antônia, para pressionar a Volks a acatar a decisão judicial e pagar a indenização a que foi condenada.

O debate reúne o procurador do Ministério Público do Trabalho e autor da ação contra a Companhia, Rafael Garcia, e o padre Ricardo Rezende, que conseguiu reunir a documentação necessária para comprovar que a montadora alemã utilizou mão de obra escrava em sua fazenda. O padre Dário Bossi, da CNBB, completa a mesa.

Neto ressalta ainda o envolvimento da Volks com a ditadura militar. “Foi a primeira empresa a ser punida no país por essa cumplicidade”, recorda.

A Companhia forneceu veículos para serem usados pela repressão na perseguição aos opositores políticos, além de fornecer dossiês de funcionários considerados subversivos pela ditadura. E também permitiu que em suas dependências agentes do regime torturassem seus empregados.

Serviço

Trabalho escravo na Amazônia: o caso Volks

Quando: Quinta-feira, 30, às 16h30.

Onde: Salão Nobre do Centro MariAntônia da USP, localizado na rua Maria Antônia, 294, 3º andar, Vila Buarque (próximo à estação Higienópolis do Metrô).


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