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ATAQUE

Derrite quer atrapalhar Polícia Federal no combate ao narcotráfico e crime organizado

O relator do projeto e secretário licenciado de Segurança Pública de SP, Guilherme Derrite Foto: Lula Marques/Agência Brasil

14 de novembro de 2025 - 15h14

Por Lúcia Rodrigues

Imagens de um jantar entre os ex-presidentes da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha e Arthur Lira (PP-AL), com o relator do projeto antifacção e secretário licenciado da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP-SP), mostra como foi urdida a trama para atrapalhar o governo federal no combate ao narcotráfico e ao crime organizado.

Derrite foi destacado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como seu emissário para a bombardear a PEC da Segurança Pública do governo federal contra as facções criminosas, que visa a integração das forças de segurança federais, estaduais e municipais no combate ao crime organizado.

Apesar de ter tido de recuar, após conseguir desagradar ao governo do presidente Lula, à oposição, à sociedade civil e aos especialista na área, esse recuo foi parcial e Derrite ainda consegue provocar estragos no combate ao narcotráfico e ao crime organizado.

Utilizando a relatoria do projeto como trampolim político para se projetar a um cargo majoritário, ou ao governo de São Paulo ou a uma vaga no Senado pelo Estado, nas eleições do próximo ano, entre idas e vindas, ele já apresentou quatro relatórios e não está descartada a apresentação de uma quinta versão.

Inicialmente, queria impedir a participação da Polícia Federal no combate ao crime organizado e ao narcotráfico, além de mudar a denominação de organizações criminosas para terroristas, o que abriria o perigoso precedente para chancelar a ingerência de Donald Trump no Brasil, que se arvora no direito de atacar países em nome de um falso argumento de combate ao narcoterrorismo.

Após o rechaço, o texto apresentado por Derrite em sua quarta versão ainda limita a ação da PF, ao reduzir as verbas para a atuação da corporação policial no combate ao crime organizado e às facções ligadas ao narcotráfico. O relatório também blinda futuros investigados.

Especialistas na área de segurança pública também consideram que o texto de Derrite limita a atuação do Ministério Público no combate ao crime organizado e ao narcotráfico.

Currículo truculento

Ex-policial da Rota, Derrite é investigado em 16 homicídos resultantes de operações policiais de que participou quando era PM, segundo reportagem da revista Piauí do ano passado.

A denúncia da revista também revela que Derrite teria feito parte de um grupo de extermínio de Osasco, na Grande São Paulo, chamado Eu Sou a Morte.

Nesse período, ele pertencia ao 14° Batalhão da PM, de onde teria saído para integrar a Rota.

Derrite também declarou a um podcast que tinha matado muito ladrão e que, por isso, teria sido afastado da Rota.

Um dos expoentes da extrema direita, o ex-PM ganhou projeção ao ter um áudio vazado em que afirmava ser vergonhoso para um policial “não matar nem três pessoas em cinco anos”.

Só nas operações Escudo e Verão, promovidas pela PM na Baixada Santista sob seu comando como secretário da Segurança de São Paulo, foram mortas quase 90 pessoas.

O jornalista Janio de Freitas já declarou que Derrite deveria estar preso.

Assista ao vídeo divulgado nas redes sociais sobre os ataques de Derrite contra a PEC da Segurança do governo federal que combate o crime organizado e o narcotráfico.


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