Manifestantes abrem faixas em teatro de Recife em apoio à Palestina e em memória de mortos pela ditadura militar
23 de novembro de 2025 - 14h03
Da redação
Ao final da peça Lady Tempestade, na última quinta-feira, 20, no Teatro Santa Isabel, no centro de Recife, em Pernambuco, manifestantes abriram faixas onde se lê o apoio à Palestina livre e em memória dos mortos e desaparecidos políticos da ditadura militar.
Um dos banners de solidariedade à Palestina é da Ocupação Gregório Bezerra, comunista arrastado pelas ruas de Recife por um veículo do Exército após o golpe militar. Gregório seria um dos 15 presos políticos libertados da prisão após a captura do embaixador estadunidense, Charles Burke Elbrick, por guerrilheiros da ALN e do MR-8, em setembro de 1969.
O outro cartaz trazia o rosto da estudante de Enfermagem da Universidade Federal de Pernambuco Ranúsia Alves Rodrigues, combatente do PCBR, o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, morta pela ditadura militar na Chacina de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, em 1973. Seu corpo nunca foi entregue à família.
Tempestade dos tribunais
No palco, Andréa Beltrão acabara de encenar Lady Tempestade, uma homenagem a Mércia Albuquerque, a maior advogada de presos políticos do Nordeste na ditadura militar.
“Foram mais de 700 vítimas da ditadura (defendidas por ela)”, ressalta o professor do Instituto Federal de São Paulo e funcionário da USP Carlos MacDowell de Figueiredo, que estava na plateia.
Para ele, que também é pernambucano como Mércia, a peça ganha contornos ainda mais importantes por ser encenada em Recife. “Foi a base de atuação da advogada Mércia Albuquerque”, enfatiza.



