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HISTÓRIA DO BRASIL

Simpósio sobre 80 anos do fim da ditadura do Estado Novo será realizado na USP em outubro

O chefe da polícia política do Estado Novo, o torturador Filinto Müller, conversa com o então presidente Getúlio Vargas Foto: Reprodução

14 de outubro de 2025 - 09h43

Por Lúcia Rodrigues

Um dos períodos mais autoritários do Brasil, a ditadura do Estado Novo, vai estar no centro dos debates na USP, a Universidade de São Paulo, de 20 a 23 de outubro, na Sala Villa-Lobos da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na Cidade Universitária, no Butantã.

O simpósio 80 anos do fim do Estado Novo – O Brasil em disputa vai reunir professores e pesquisadores das três universidades públicas paulistas: USP, Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e Unesp (Universidade Estadual Paulista), e das federais do ABC (UFABC), Fluminense (UFF) e Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Para o historiador e pesquisador em pós-doutorado na Unicamp Fernando Sarti Ferreira, organizador do evento, o ciclo de debates tem duas dimensões.

Ele ressalta que a democracia está novamente em discussão e que assim como naquele momento histórico há uma reorganização da ordem internacional.

Também se poderá compreender como a figura de Getúlio Vargas vai se alterando de ditador, para um presidente eleito que se tornou o precursor da indústria de base no país.

“Ele não deixa de ser um conservador de origem oligárquica, mas se engaja no  desenvolvimento nacional.”

Sarti Ferreira contesta teses, como a do sociólogo Francisco Weffort que considerava que se estabeleceu no país um sindicalismo populista controlado por Getúlio.

“Não era um sindicalismo atrelado ao Estado, sem autonomia. Observei que há uma onda de greves em maio de 1945 que desmonta completamente a tese do Weffort. Existia um projeto próprio que atingiu a maior parte das categorias, principalmente a têxtil e metalúrgica da industria paulista. Os ferroviários também fizeram a maior paralisação nesse período. Foram mais de 300 greves, com mais de 200 mil grevistas”, revela.

Segundo ele, o historiador Edgar Carone já havia contestado a tese de Weffort, mas ao pesquisar os arquivos do Dops, Sarti Ferreira obteve os documentos que faltavam para refutar a tese com material histórico.

“No arquivo do Dops encontrei vasta documentação sobre essas mobilizações. Há uma determinação do Ministério da Justiça, de abril de 1945, proibindo que se fale das greves na imprensa. Agentes do Dops iam às redações para censurar (as matérias). No dia 21, tem uma super reunião no Palácio dos Campos Elíseos (em São Paulo), para discutir aumento de salários, mas a censura aos jornais oculta.

É esse período ditatorial pouco conhecido da população que o colóquio pretende trazer à tona.

Organizado pelo Grupo de Estudos de História e Economia Política (GMARX-USP), o encontro “se vale da efeméride para revisitar os dilemas políticos, econômicos e sociais que atravessaram o Brasil em meio ao processo de democratização aberto com a ditadura do Estado Novo (1937-1945), em um contexto de violenta reorganização da ordem internacional após a Segunda Guerra Mundial”.

Apoiado pelo Programa de Pós-Graduação em História Econômica da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, o Simpósio emitirá certificado, por meio da FFLCH-USP, para quem acompanhar presencialmente pelo menos 75% das mesas. Para se increver, é preciso preencher o formulário até o dia 19, clicando aqui.

Confira a seguir a programação dos debates.

Segunda-feira, 20, às 18h

Reformas e contrarreformas: O Estado brasileiro em disputa

Fernando Teixeira da Silva (Unicamp)

Maria Vitória Benevides (USP)

Gilberto Bercovici (USP)

Mediação: Rosa Rosa Gomes (USP)

 

Terça-feira, 21, às 18h

Integração nacional e povo brasileiro

Fabiana Marchetti (Unesp)

Adriana Salay (USP)

Gilberto Maringoni (UFABC)

Mediação: Lincoln Secco (USP)

 

Quarta-feira, 22, às 14h

Transição popular versus transição pactuada

Guilleaume Saes (USP)

David Ricardo (USP)

Fernando Sarti Ferreira (Unicamp)

Mediação: Hastha Bernardo (USP)

 

Quarta-feira, 22, às 18h

Economia política do Estado Novo

Alexandre de Freitas Barbosa (IEB)

Francisco Luiz Corsi (Unesp)

Vânia Maria Losada Moreira (UFRRJ)

Mediação: Adriana Marinho (USP)

 

Quinta-feira, 23, às 19h

Propaganda, Cultura e Educação no Estado Novo

Angela Maria de Castro Gomes (UFF)

Mediação: Fernando Sarti Ferreira (Unicamp)

 

A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin está localizada na rua da Biblioteca, 21, na Cidade Universitária. O acesso ao prédio também poderá ser feito pela avenida Professor Luciano Gualberto, na altura do prédio da História e Geografia.

 


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