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POVO NA RUA

Movimentos sociais protestam contra ataques de Tarcísio de Freitas à Educação e ao patrimônio público, nesta quarta, 17

Tarcísio de Freitas quer demolir Instituto Adolfo Lutz, com 134 anos de existência e referência em diagnósticos de doenças Foto: Reprodução

13 de junho de 2026 - 11h57

Da redação

Movimentos sociais, capitaneados pelos ligados à Educação, participam de manifestação nesta quarta-feira, 17, contra os ataques do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) à educação e aos serviços públicos. Eles protestam também contra as privatizações realizadas em setores essenciais à população, como água e transportes.

A concentração está marcada para às 18h, em frente ao Masp, o Museu de Arte de São Paulo, na avenida Paulista. Dali, seguem em passeata até a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, no Ibirapuera, na zona sul da capital.

O Fórum das Seis, que reúne as associações e os sindicatos de professores e servidores da USP, Unicamp e Unesp, além dos DCEs das três Universidades, é uma das entidades que convoca o protesto, que também vai reunir a UNE, União Nacional dos Estudantes, a UBES, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, e a ANPG, a Associação Nacional dos Pós-Graduandos.

Alunos da USP, que permaneceram em greve por permanência estudantil quase dois meses (de 14 de abril a 8 de junho), vão reforçar a manifestação, em protesto também contra a violência policial que sofreram durante a invasão da PM à sede da reitoria, onde estavam acampados por melhorias nas condições de vida na Universidade.

Além do ataque à educação, com o sufocamento no repasse de recursos às universidades e escolas públicas paulistas, Tarcísio de Freitas também investe contra a saúde e outros setores.

As agressões mais recentes são a tentativa de demolição do Instituto Adolfo Lutz e a privatização da malha ferroviária do Estado.

Privatização

Após o desastre da privatização da Sabesp, a companhia de água e saneamento, que além de aumentar o preço da tarifa para a população, ainda piorou a qualidade do serviço oferecido, com cortes constantes no fornecimento, Tarcísio prossegue em sua toada privatista.

A CPTM, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, foi quase integralmente privatizada.

De todas as linhas da empresa, a única que ainda permanece pública é a Linha 10 Turquesa, que liga Barra Funda, na zona oeste da capital, a Rio Grande da Serra, na região do ABC paulista.

Anteriormente essa linha ligava as cidades de Jundiaí, no interior do Estado, a Rio Grande da Serra. Mas foi fatiada para a venda.

Isso por si só já atrapalhou a vida dos trabalhadores que utilizam os trens, e que passaram a ter de desembarcar na estação Barra Funda para mudar de composição e seguir viagem nos dois sentidos, aumentando o tempo de trajeto no transporte.

Mas além do transtorno com a privatização de parte desse percurso, Tarcísio também colocou os trens mais velhos que tinha na frota, no trecho que ainda permanece público. E repassou as composições da linha pública para a privatizada.

A reação da população foi instantânea com uma chuva de críticas ao governador de extrema direita Tarcísio de Freitas.

Ele recuou e trouxe de volta os trens que trafegavam na linha anteriormente.

Mas já há a advertência de que a decisão não foi definitiva.

A população teme que os trens permaneçam na linha apenas até as eleições de outubro.

Demolição

Outro ataque violentíssimo à saúde e ao patrimônio público do Estado de São Paulo é o despejo e a demolição do Instituto Adolfo Lutz, localizado no complexo do Hospital Emílio Ribas, na avenida Doutor Arnaldo, no bairro de Cerqueira César, na região central da cidade, que pode ocorrer a qualquer momento.

Com 134 anos de existência, o Adolfo Lutz é reconhecido internacionalmente como exemplo de laboratório de análises do país.

Credenciado pelo Ministério da Saúde, atua junto ao SUS, o Sistema Único de Saúde, como o laboratório central de saúde pública.

Realiza quase 600 tipos de exames.

É destaque na área de vigilância epidemiológica, sanitária e ambiental.

E referência no diagnóstico de doenças como meningites bacterianas, influenza, dengue, zika, coqueluche, botulismo, hantavírus e Síndrome Hemolítico Urêmica.

É colaborador da Opas, a Organização Pan-Americana de Saúde, na áreas de arbovírus e influenza e da FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, e da OMS, a Organização Mundial da Saúde, no monitoramento de contaminantes em alimentos.

Colabora ainda com a Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no Programa Nacional de Verificação da Qualidade de Medicamentos.

Mesmo assim, Tarcísio quer demolir o conjunto arquitetônico, com prédios tombados pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) e expulsar o Instituto Adolfo Lutz, sob o pretexto de que ironicamente será construído no local o Hospital Inteligente.


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