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LUTA DE CLASSES

Ex-metalúrgicos da primeira fábrica a conquistar 44 horas semanais no Brasil lançam livro com memórias da luta

Vista parcial da fábrica Perkins-Maxion, em São Bernardo do Campo Foto: Reprodução

11 de junho de 2026 - 02h10

Por Lúcia Rodrigues

Metalúrgicos que trabalharam na montadora de motores Perkins-Maxion, em São Bernardo do Campo na década de 1980, lançam nesta quinta-feira, 11, às 19h, no auditório do Sindicato dos Petroleiros de São José dos Campos, o livro Memórias da Luta de Classe – A histórica união e organização dos trabalhadores e trabalhadoras na Motores Perkins-Maxion.

A indústria foi a primeira a implantar as 44 horas semanais de trabalho no Brasil, por pressão de seus trabalhadores.

Uma greve de 42 dias, em 1985, conquistou o direito trabalhista três anos antes da Constituição de 1988 fixar esse teto para a jornada semanal de todos os trabalhadores.

Luiz Rodrigues, o Luizinho, é um dos metalúrgicos que dobraram os patrões na greve e que resolveu colocar no papel a história da luta travada no chão de fábrica.

Ele conta que o movimento foi tão potente, que obteve a adesão do setor administrativo da fábrica, que permaneceu 25 dias em greve em solidariedade aos trabalhadores da produção, apesar de já trabalharem sob uma jornada de 40 horas semanais.

“Foi uma greve fantástica. Era uma fábrica muito politizada. Tinhamos o controle da produção. Essa história de união e organização precisava ser contada, porque serve como referência e exemplo para a classe trabalhadora. Se não contarmos nossa história, a burguesia vai fazer isso do ponto de vista dela”, ressalta.

A ideia do livro surgiu há 20 anos em conversas informais com os companheiros. Mas começou a se consolidar há sete.

O ex-metalúrgico Luiz Rodrigues, o Luizinho, com o livro que será lançado Foto: Reprodução

Totalmente custeada pelos trabalhadores, a publicação com 264 páginas, da Editora Coopacesso, traz um qrcode em que é possível assistir vídeos, ler boletins e outros documentos sobre a luta desses metalúrgicos.

O livro traz ainda recordações das poesias, músicas e dos esportes que faziam parte do cotidiano desses trabalhadores.

Segundo Luizinho, por indicação de professores da UFABC, a Universidade Federal do ABC, e da USP, a Universidade de São Paulo, o livro concorre ao Prêmio Jabuti de biografia coletiva.

Já ganharam “cadeira cativa” na UFABC para apresentar anualmente a história contada no livro aos alunos da Universidade.

A Perkins-Maxion não existe mais. Fechou as portas há 30 anos, na esteira da política agressiva de Fernando Henrique Cardoso de abertura ao capital estrangeiro, fatal para a empresa.

Mas a luta de seus trabalhadores vai continuar ecoando no ABC.

Para adquirir o livro, entre em contato com Olga pelo whatsapp (11) 99304-0469.


Comentários

Expedito Solaney

11/06/2026 - 12h04

Mais uma
Vez o Holofote se noticia faz uma importante matéria sobre a publicação de um livro, que tem história de vida real da classe trabalhadora brasileira. E sobretudo agora na luta pela redução da jornada e fim da escala 6×1.
Parabéns ao companheiro Luiz Rodrigues e a camarada Lúcia Rodriques do holofote que fez a matéria

Expedito Solaney

11/06/2026 - 12h05

Parabéns, importante matéria sobre a publicação de um livro, que tem história de vida real da classe trabalhadora brasileira. E , sobretudo, agora na luta pela redução da jornada e fim da escala 6×1.
Parabéns ao companheiro Luiz Rodrigues e a camarada Lúcia Rodriques do holofote que fez a matéria

Odilon Santana da Cunha

12/06/2026 - 07h32

Me sinto feliz, por ter participado dessa luta, de fato e de ter feito parte do grupo de metodologia por 7 amor para escrever este livro: “Memórias de luta de classe”.
Quero ressaltar que o apoio de 21 dias de greve dos mensalistas, nas 42 horas de nossa greve, teve muito a ver com a comunicação do companheiro Luizinho, pois enquanto muitos companheiros se recusam a falar com o pessoal do administrativo, alegando que eles não participam das lutas e recebem os benefícios das das nossas conquistas, o Luizinho, não se fez de “rogado” e conseguiu convencer os mensalistas de que as nossas lutas era importantes, não só para todos e todas funcionários(as) da fábrica, mas para todo o Brasil. E

Odilon Santana da Cunha

12/06/2026 - 07h39

Eu fiz parte dessa linda história de luta e de memória dos trabalhadores da fábrica de Motores Perkins, maxion

Daniel Calazans

12/06/2026 - 18h19

Já li esta obra literaria inspiradora vale toda serimonia de honraria!

Sidney Jard

13/06/2026 - 13h56

Trabalho fantástico! Uma história viva contada pelos seus principais personagens. Um modelo e uma inspiração para as novas gerações da classe trabalhadora. Serão sempre bem-vindos/as na UFABC!

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