Portugal deve ter 2° turno para presidente da República entre extrema direita e centro esquerda
18 de janeiro de 2026 - 09h44
Da redação
Pela segunda vez depois da Revolução dos Cravos que derrubou a ditadura salazarista que impôs a Portugal 48 anos de repressão, os portugueses devem decidir quem será o próximo presidente da República em uma eleição em segundo turno, ou segunda volta como eles chamam a disputa.
A eleição deste domingo, 18, começou às 8h (5h pelo horário de Brasília) e se estende até às 19h, no horário português, no continente e na Madeira e às 20h no Arquipélago dos Açores. Mas muitos já votaram antecipadamente, inclusive no exterior. No Brasil, os consulados abriram a votação nesse sábado, 17.
Onze candidatos, número recorde, disputam o pleito. Eram quatorze, mas três deles tiveram suas candidaturas impugnadas pelo Tribunal Constitucional por irregularidades.
Apesar disso, os três nomes constam da cédula eleitoral, porque a impressão já havia ocorrido antes da impugnação. Qualquer voto em um desses candidatos será considerado nulo.
As últimas pesquisas de intenção de voto apontam o ultradireitista do Chega, André Ventura, e Antonio José Seguro, apoiado pelo PS, o Partido Socialista, à frente da corrida presidencial, seguidos pelo candidato da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, em terceiro, mas próximo dos dois concorrentes.
Nos últimos dias de campanha, uma denúncia de assédio sexual contra Cotrim de Figueiredo feita por uma ex-assessora do Partido, que teria ocorrido em 2023, veio à tona. Não se sabe o quanto isso pode impactar sua candidatura no resultado das urnas.
As grandes surpresas desta eleição registradas pelas pesquisas foram as quedas vertiginosas do direitista Luís Marques Mendes, apoiado pelo PSD, e do almirante Henrique Gouveia e Melo, também de direita apesar de se definir como de centro.
Gouveia e Melo havia conquistado visibilidade e a simpatia da sociedade durante a pandemia de Covid-19 ao assumir a coordenação da vacinação dos portugueses.
Ambos chegaram a liderar a corrida presidencial, mas despencaram na intenção de voto ao longo da campanha. As últimas sondagens os colocam em quarto e quinto lugar, alternando as posições, muito atrás dos três nomes à frente.
Pesquisa da RTP, a emissora pública portuguesa, em parceria com a Universidade Católica, divulgada na última sexta-feira, 16, aponta Ventura com 24%, Seguro com 23% e Cotrim de Figueiredo com 19%.
Marques Mendes aparece com 14%, tinha 20% no ínício da disputa. Gouveia e Melo também registra 14%, tinha 18%.
Seguro foi o candidato que mais subiu nas projeções da RTP, saltou de 16% para 23%.
Cotrim de Figueiredo tinha 14% e termina com 19%. A pesquisa ocorreu, no entanto, antes da divulgação da denúncia de assédio sexual contra ele.
O candidato apoiado pelo PCP, o Partido Comunista Português, o jurista António Filipe, aparece na sexta colocação, com 2%, tinha 3% na primeira pesquisa.
Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, aparece também com 2%, também tinha 3%.
A pesquisa divulgada pela RTP captou a intenção de voto do eleitor português entre 15 de dezembro e 13 de janeiro.
A eleição deste domingo é a 11ª em que os portugueses vão às urnas escolher o presidente da República, que tem mandato de cinco anos.
Após a Revolução dos Cravos já foram eleitos cinco presidentes, todos foram reeleitos para a função.
O general António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006), Anibal Cavaco Silva (2006-2016) e Marcelo Rebelo de Sousa (2016-2026).
Soares e Sampaio eram ligados ao PS e Cavaco Silva e Rebelo de Sousa ao PSD.



