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MEMÓRIA

Audiência na Assembleia Legislativa de SP debate transformação do DOI-Codi em Memorial em homenagem às vítimas da ditadura

Vista áerea do antigo DOI-Codi de São Paulo, rodeado por casas e prédios Foto: Instituto Vladimir Herzog

06 de junho de 2026 - 20h39

Por Lúcia Rodrigues

A transformação do antigo DOI-Codi paulista, principal centro de tortura da ditadura militar, em um memorial em homenagem às vítimas da repressão, estará no centro do debate da audiência pública convocada por parlamentares do PT e PSOL, entre eles o ex-senador Eduardo Suplicy, nesta quarta-feira, 10, às 19h, no plenário Tiradentes da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Milhares de presos políticos foram torturados nas dependências do DOI-Codi da rua Tutoia. O articulista de Holofote, Manoel Cyrillo de Oliveira Netto, é um deles. À época, o DOI-Codi ainda era clandestino e conhecido como Oban (Operação Bandeirante).

Pelo menos 50 pessoas foram mortas sob tortura no local. O jornalista Vladimir Herzog e o estudante da Geologia da USP Alexandre Vannucchi Leme, que dá nome ao DCE-Livre da Universidade, são dois dos nomes que engrossam essa lista macabra.

Até hoje, o 36° Distrito Policial funciona no número 921 da rua Tutóia .

Os ex-deputados petistas Adriano Diogo e José Genoíno ficaram presos na cela solitária da delegacia.

Adriano também relata que Alexandre Vannucchi Leme foi morto sob tortura em uma das salas do distrito policial.

Assim como agora, o centro de tortura já era cercado por prédios e casas.

Não era alheio a ninguém que estivesse nas redondezas, que ali se torturavam opositores políticos do regime ditatorial: os gritos ecoavam pelo bairro, ironicamente chamado Paraíso.

Tombado

Em 2014, o conjunto de prédios do DOI-Codi foi tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico). E em 2017, pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo), que ratificou a decisão do órgão estadual de preservação.

A luta de ex-presos políticos e ativistas de direitos humanos pela transformação do antigo DOI-Codi em um espaço de memória, nos moldes do Memorial da Resistência, instalado no prédio do antigo Dops, outro centro feroz de tortura da ditadura militar, se arrasta há anos, porque aliados das antigas forças da repressão continuam atuando para impedir sua implantação.

O historiador do Núcleo Memória, César Novelli, explica que à época do tombamento pelo Condephaat, o então governador do Estado, Geraldo Alckmin, havia prometido atuar para que o DOI-Codi se tornasse um centro de memória.

“Mas ele saiu, e os próximos (governadores) não deram continuidade. E agora com o Tarcísio (de Freitas), não há nenhuma possibilidade de um governo que tem a ditadura como norte, transformar o espaço em um memorial. Atrelado a isso, há um abaixo-assinado dos moradores do bairro para impedir que a delegacia saia dali, muito mais por motivos ideológicos do que por segurança”, frisa.

Serviço

Onde: Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo – Auditório Tiradentes – avenida Pedro Álvares Cabral, 201, 1° andar, Ibirapuera, zona sul da capital paulista

Quando: Quarta-feira, 10, às 19h


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