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HISTÓRIA DE LUTA

DCE-Livre da USP completa 50 anos em maio; entidade foi importante na luta contra ditadura militar

Detalhe da fachada do DCE-Livre da USP nos anos 1990 Foto: Lúcia Rodrigues

04 de maio de 2026 - 13h15

Por Lúcia Rodrigues

O DCE-Livre da USP, entidade representativa de todos os estudantes da Universidade de São Paulo, completa 50 anos em maio.

O Diretório Central dos Estudantes, adendou o Livre, para demarcar que era independente das instâncias de poder da Universidade e do governo.

E recebeu o nome de Alexandre Vannucchi Leme em homenagem ao estudante de Geologia e militante da ALN, a Ação Libertadora Nacional, organização de combate à ditadura militar, que foi assassinado sob tortura pela repressão no DOI-Codi paulista em março de 1973.

Alexandre Vannucchi Leme

Sua reorganização foi construída na clandestinidade, que culminou em uma eleição direta com mais de 12 mil votos em urna.

A decisão pela reconstrução da entidade estudantil foi tomada em uma assembleia na FAU, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, em 26 de março. A eleição foi marcada para os dias 11 e 12 de maio.

O XI de Agosto, centro acadêmico dos estudantes de Direito da USP, foi contra a criação do DCE-Livre, defendia que se mantivesse o Conselho de Centros Acadêmicos (CCA), sem a refundação da entidade central.

A ditadura também não aceitava o ressurgimento do DCE.

O roubo de 40 urnas com quase oito mil votos, que estavam guardadas na FEA, a Faculdade de Economia e Administração, para serem apuradas, foi atribuído ao Dops, orgão de repressão do regime militar.

Uma nova eleição foi remarcada para 18 de maio. E a votação cresceu em mais de 50%, superando os 12 mil votos.

Para garantir que a ditadura não roubasse novamente as urnas, os estudantes fizeram uma vígilia para esperar pela contagem de votos no dia seguinte, que ocorreria após a chegada das urnas  dos campi do interior à Cidade Universitária.

Feito escrutínio, a Refazendo, que nos anos 1980 teria militantes integrando o PT na tendência Articulação, a mesma de Lula, foi a vencedora com 4.362 votos. A Libelu, Liberdade e Luta, que também integraria o PT na tendência O Trabalho, ficou em segundo, com 2.995 votos. E a Caminhando, identificada com o PCdoB, obteve 1.497 votos.

O ascenso do movimento estudantil, impulsionado na esteira da reação à morte sob tortura do professor da ECA, a Escola de Comunicações e Artes, Vladimir Herzog, no DOI-Codi, encorajava para a luta.

Mas 1976 ainda era um tempo bicudo, e a ditadura mantinha vigilância cerrada sobre as lideranças estudantis. As chapas não explicitavam os nomes dos diretores que disputavam o pleito.

A Aesi, Assessoria Especial de Segurança e Informação da USP, criada pelo regime, em 1972, para monitorar os passos de estudantes, docentes e funcionários da Universidade, estava a todo vapor repassando dados sobre a comunidade universitária para a repressão.

Documento sobre a instalação da Aesi na USP em 20 de outubro de 1972 Foto: Reprodução

É importante ressaltar que nesse momento a linha-dura do regime também se organizava para reprimir novamente com mão de ferro os opositores.

Ainda ocorreriam o Massacre da Lapa contra o Comitê Central do PCdoB, promovido por agentes do mesmo DOI-Codi, em dezembro de 1976, além do atentado terrorista fracassado do Exército ao show do 1° de Maio, no Riocentro, que completou 45 anos no último dia 30 de abril, em que a bomba que mandaria pelos ares o pavilhão lotado de pessoas, explodiu antes no colo de um dos militares que a detonariam. Antes disso, em agosto de 1980, ainda seria morta a secretária da OAB, a Ordem dos Advogados do Brasil, Lyda Monteiro da Silva, ao abrir uma carta-bomba destinada ao então presidente da entidade pela repressão.

A luta por anistia ampla, geral e irrestrita, por diretas para a presidente da República, a campanha de Lula à Presidência em 1989, as manifestações pelo Fora Collor no início dos anos 1990, a resistência às privatizações do governo FHC e o enfrentamento mais recente ao fascismo fizeram com que a atuação do DCE-Livre da USP extravasasse a luta extramuros da Universidade e se consolidasse como uma entidade representativa da luta social brasileira.

O DCE-Livre da USP, definido como uma entidade espúria em maio de 1976 pela Aesi, àquela que à época repassava todas as informações sobre os diretores da organização estudantil para os órgãos de repressão da ditadura militar, chega aos 50 anos como um jovem senhor na maturidade, e segue firme na certeza de que a luta rumo ao socialismo não cessará até a sua implantação.

Vida longa ao DCE-Livre da USP, que tive a honra de ser dirigente nos anos de 1992 e 1993.

Abaixo os adesivos das duas campanhas ao DCE de que participei.

 

 


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