Ex-presa política torturada no Dops do Rio de Janeiro comemora tombamento do prédio pelo Iphan
26 de novembro de 2025 - 13h19
Por Lúcia Rodrigues
A professora aposentada da Universidade Federal Fluminense e fundadora do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, Cecília Coimbra, uma das presas políticas que foi torturada no Dops carioca na ditadura militar, vibrou com o tombamento do prédio pelo Iphan, o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, nesta quarta-feira, 26.
“Fiquei muito emocionada com esse tombamento. Eu estive três dias no Dops, antes de ser levada para o DOI-Codi (na rua Barão de Mesquita, 425, na Tijuca)”, recorda.
Em seu parecer, o historiador José Ricardo Oriá Fernandes, cita trecho do livro de Cecília Fragmentos de Memórias Malditas em que ela faz referência ao inferno vivido nesses centros de tortura da ditadura militar.
“Foi um parecer muito bonito. Fiquei muito emocionada com a citação de trecho do meu livro.”

A professora Cecília Coimbra Foto: Arquivo pessoal
O tombamento do edifício é um passo importante para a transformação do prédio da rua da Relação, 40, na esquina com a rua dos Inválidos, no centro da capital carioca, em um memorial em homenagem aos que resistiram à ditadura.
“Estou torcendo muito para isso”, enfatiza Cecília.
Pelo local, passaram presos políticos que enfrentaram as ditaduras militar e do Estado Novo.
Carlos Marighella, Olga Benário, Luiz Carlos Prestes, Jorge Amado e Chico Buarque são alguns dos nomes que estiveram no edifício.
“Marighella, meu avô, durante o Estado Novo foi torturado durante 21 dias pelo agente Filinto Müller”, relembrou Maria Marighella, neta de Marighella e presidente da Funarte, a Fundação Nacional de Artes.
Em sua intervenção na sessão de tombamento, Maria frisou que o Estado brasileiro tem uma dívida impagável com as vítimas da repressão.
E sugeriu que o parecer que fundamentou o tombamento do Dops seja publicado pelo Iphan pela importância que carrega.



