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HISTÓRICO

Justiça condena Marinha por racismo institucional contra João Cândido, o Almirante Negro, líder da Revolta da Chibata

Marinheiros líderados por João Cândido se insurgem contra as torturas impostas pela Marinha Foto: Reprodução

24 de maio de 2026 - 09h29

Da redação

Em julgamento que pode ser classificado como histórico, a Marinha foi condenada pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, por racismo institucional contra a memória de João Cândido, o Almirante Negro, líder da Revolta da Chibata que se insurgiu, em 1910, contra as torturas impostas por essa Força Armada aos marinheiros, em sua grande maioria negros.

Mais de um século após as punições da Marinha deixarem de ser físicas, a virulência dos ataques continuam chicoteando a memória de Cândido e dos demais marinheiros insurgentes.

Em 2024, o atual comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, que substituiu o golpista Almir Garnier condenado há 24 anos de prisão em regime fechado por tentativa de golpe de Estado, encaminhou uma carta à Câmara dos Deputados, para impedir a inclusão do nome de João Cândido no Livro dos Herois e Heroínas da Pátria.

Olsen se referiu ao líder da Revolta da Chibata e aos demais revoltosos com termos pejorativos, como “abjetos marinheiros”, além de classificar o levante contra a tortura como uma “deplorável página da história nacional”.

O comandante da Marinha afirmou ainda em seu texto, que o movimento dos marinheiros chantageou a nação.

O ministro da Defesa, José Múcio, cumprimenta o comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, em sua posse Foto: Agência da Marinha

Em sua sentença, na última quinta-feira, 21, o juiz federal Mario Victor Braga Pereira Francisco de Souza considerou que o comandante da Marinha reproduziu racismo institucional, que atingiu a honra de João Cândido e dos demais marinheiros negros.

E determinou a essa Força Armada “abster-se de empregar linguagem estigmatizante, pejorativa ou moralmente desabonadora (a exemplo do termo ‘abjetos’, entre outros equivalentes) ao se referir, em suas manifestações públicas, a João Cândido Felisberto e aos demais participantes da Revolta da Chibata”.

O magistrado fixou ainda uma indenização de R$ 200 mil, que deverá ser revertida para projetos de preservação da memória do Almirante Negro.

A ação movida pelo Ministério Público Federal pedia indenização de R$ 5 milhões.

O órgão deve recorrer da decisão, para aumentar o valor da indenização fixada.

Líder

João Cândido faleceu 1969.

O Almirante Negro foi preso, internado como louco e sofreu tentativa de assassinato antes de ser expulso da Marinha, em 1912.

Ele e os demais marinheiros que participaram da Revolta da Chibata foram anistiados post mortem, em 2008, por lei sancionada pelo presidente Lula.

A senadora Marina Silva, que à época pertencia ao Partido dos Trabalhadores, foi a autora do projeto aprovado pelo Congresso Nacional.

O Almirante Negro, Joâo Cândido Foto: Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro


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