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HISTÓRIA DO BRASIL

Manoel Cyrillo: Mais de seis décadas após golpe militar, ainda não se sabe exatamente quando a ditadura terminou…

Tanques na avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, em 1° de abril de 1964 Foto: Correio da Manhã/Arquivo Nacional

20 de março de 2026 - 13h24

O golpe militar de 1964

 

Por Manoel Cyrillo de Oliveira Netto

Agora, no dia 31 de março de 2026, o Golpe Militar de 1964 completa 62 anos – vade retro, satanás!

Com o golpe, os milicos galgaram o poder e assumiram o (des)governo do país. E, com isso, o golpe militar é um crime impune. E não poderia ser diferente, os golpistas não iriam se autocondenar.

E, por extensão, também não foram condenados os assassinos do Tenente-Coronel Aviador Alfeu de Alcântara Monteiro – o primeiro dos brasileiros assassinados pelos golpistas.

Esse triste episódio histórico é pouco conhecido, quase não é (até hoje!) conhecido. O Tenente-Coronel Alfeu comandava (vou grifar: comandava) a Força Aérea Brasileira em toda a região sul do país. E, militar honrado que era, não aderiu ao golpe. Pois bem, foi assinado a tiros, dentro de sua sala de comando!!!

Quem foi o seu assassino?

Parece que ainda não foi apurado…

O tenente-coronel aviador Alfeu de Alcântara Monteiro Foto: Memorial da Resistência

Nos primeiros dias de (des)governo dos milicos, eles disparam uma violenta política repressiva: são presos aproximadamente 50 mil pessoas, entre políticos (muitos tendo os seus mandatos cassados), sindicalistas, estudantes e militares.

Eram tantos os presos que o Estado terrorista teve que transformar um navio, o Raul Soares, em presídio, em Santos no litoral paulista; o campo de futebol do Canto do Rio Futebol Clube, em Niterói, foi transformado em um campo de prisioneiros; milhares de militares foram presos e/ou afastados de suas funções.

E a repressão do Estado terrorista espraiou-se por toda a vida nacional…

Os golpistas cancelaram eleições e, ao sabor de seu arbítrio, abriam ou fechavam o Congresso, cassaram todos os partidos políticos (impondo que passariam a existir somente dois, um que apoiaria o (des)governo, e outro que seria o da “oposição” permitida; os direitos individuais foram pisoteados, prenderam, torturaram, mataram.

Aqueles que não aceitavam as suas idéias, eram tachados e tratados como “inimigos internos”.

No poder, os milicos criaram uma excrescência jurídica: os Atos Institucionais.

Entre os inúmeros Atos Institucionais editados, o mais notório é o Ato Institucional nº 5. Mas o mais tragicômico foi o Ato Institucional nº 4.

Na ocasião, o Congresso Nacional estava fechado. O Ato Institucional nº 4 o reabria e convocava os congressistas, literalmente, a aprovar uma nova “constituição”, a de 1967.

Outra curiosidade, essa nova “constituição”, foi escrita por um único homem, um rábula da ditadura. E assim foi feito…

A ditadura desequilibrou até a Geografia Política do país. Eu nasci em 1946, em Salvador, na Bahia.

A Bahia era um dos estados da Região Leste do Brasil, os outros estados da Região Leste eram o Espírito Santo e o Rio de Janeiro.

O que os militares fizeram? Eles acabaram com o Leste brasileiro!!!!

Mas, outro dos grandes malefícios que a ditadura criou é que a História registra a data de sua implantação mas… quando ela terminou???

Cada historiador tem a sua opinião, cada um acha uma coisa (foi com o retorno dos exilados, foi com a eleição direta para presidente, foi com a constituinte, foi com a entrada em vigor da nova Constituição).

Assim, de achismo em achismo, cabe uma pergunta: será que ela verdadeiramente terminou?

Manoel Cyrillo de Oliveira Netto é publicitário, resistiu à ditadura militar, foi guerrilheiro urbano da ALN (Ação Libertadora Nacional), participou de várias ações armadas, entre elas a da captura do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick. Preso político, permaneceu encarcerado por 10 anos. Fora da prisão, ganhou a medalha de ouro com a peça publicitária Çuikiri no 37th New York Festivals Advertising Awards, o Festival Internacional de Propaganda de Nova York, e foi recebê-la nos Estados Unidos em 1991.


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