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MEMÓRIA

Morre motorista da Cometa acusado pela ditadura de ter provocado morte de JK; Estado brasileiro reconheceu sua inocência

Josias Nunes de Oliveira em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em 2013, em que nega qualquer envolvimento na morte de JK e seu motorista Foto: Guilherrme Bergamini

16 de junho de 2026 - 18h27

Por Lúcia Rodrigues

Morreu nesta terça-feira, 16, Josias Nunes de Oliveira. Ele era o motorista do ônibus da Cometa acusado pela ditadura militar de ter provocado o acidente que matou o ex-presidente Juscelino Kubitschek e seu chofer, Geraldo Ribeiro, em 1976, na Via Dutra.

No último dia 29, a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos concluiu que Josias foi mais uma vítima do regime, que o acusou injustamente para acobertar o crime de sabotagem realizado pelos militares no Opala de JK.

O ônibus dirigido por ele não colidiu com a traseira do veículo do ex-presidente, como a ditadura divulgou à época.

Ao Holofote, a procuradora Eugênia Gonzaga, presidente da Comissão, declarou ao término da reunião que o ilibou de qualquer culpa: “Foi vítima de uma calúnia (da ditadura). Ele já foi absolvido na justiça criminal, mas não pela história. Precisa de ter sua honra reestabelecida”.

Eugênia pretendia realizar uma solenidade para pedir formalmente desculpas a Josias em nome do Estado brasileiro.

Não deu tempo.

“Embora Josias tenha sido plenamente absolvido pela Justiça Criminal em 1978, esse fato fundamental permaneceu abafado pelo manto do silêncio, da censura e da produção de versões fraudulentas da época. Assim, por décadas, Josias Nunes de Oliveira sofreu o impacto devastador de uma calúnia que marcou sua vida pessoal e profissional. A dor de ter sido marcado pelo estigma de uma culpa que nunca foi sua é o reflexo de um período em que a verdade foi intencionalmente distorcida”, diz trecho da nota de pesar pela morte de Josias divulgada pela Comissão.

Em outra passagem ressalta: “O senhor Josias carrega em sua biografia o peso de uma das maiores e mais cruéis injustiças da história recente do país”.

Leia a seguir a íntegra do texto.

 


Comentários

Luiz Rodrigues

16/06/2026 - 20h47

Esse é o regime defendido pelo bolsonarismo, continua vivo

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