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TORTURA NUNCA MAIS

UFRJ homenageia com diploma póstumo Stuart Angel, que teve cano de escape de jipe militar preso à boca por ditadura

Stuart Edgard Angel Jones, morto sob tortura pela ditadura militar, aos 25 anos de idade Foto: Reprodução

07 de junho de 2026 - 23h54

Da redação

O estudante de Economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e combatente do MR-8, Stuart Edgar Angel Jones, assassinado sob tortura pela ditadura militar em 1971, será homenageado pela Universidade com a entrega do diploma póstumo à família, no próximo dia 7 de julho.

Filho da estilista Zuzu Angel, também assassinada pela ditadura, Stuart foi butalmente torturado pela repressão para entregar o capitão Carlos Lamarca, que à época já integrava o MR-8.

Entre as inúmeras sevícías que sofreu, teve o escapamento de um jipe militar preso à boca, para receber descargas de monóxido de carbono  enquanto era arrastado pelo veículo dentro da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro.

A cena macabra foi testemunhada pelo então soldado da Aeronaútica, José Bezerra da Silva.

Ele relatou o que presenciou à Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, em 2013.

Por se manifestar contra a brutalidade, também foi torturado pelos militares da Aeronáutica.

Os restos mortais de Stuart nunca foram entregues à família. Ele engrossa a lista de desaparecidos políticos da repressão há 55 anos. Um carcereiro teria dito que ele “iria virar comida para peixe”.

A estilista Zuzu Angel, ao centro, com os filhos, Hildegard (à esq.), Ana Cristina e Stuart Foto: Reprodução

Stuart ingressou na militância política na DI da Guanabara, a Dissidência Estudantil do PCB, o Partido Comunista Brasileiro, no Estado do Rio.

A sigla passaria a autodenominar-se MR-8, com a captura do embaixador estadunidense, Charles Burke Elbrick, na ação que a organização política realizou em parceria com a ALN, a Ação Libertadora Nacional, em setembro de 1969.

Entre os responsáveis pelo calvário de Stuart estão o sargento Abílio Corrêa de Souza, conhecido como Pascoal e apontado como um dos mais violentos, o brigadeiro João Paulo Moreira Burnier, comandante da 3ª Zona Aérea e criador do Cisa, o Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica, o brigadeiro Carlos Affonso Dellamora, chefe do Cisa e comandante direto dos agentes que torturaram e mataram Stuart, o coronel Ferdinando Muniz de Farias, de codinome Doutor Luís, o capitão Lucio Valle Barroso, também do Cisa, os cabos Luciano José Marinho de Melo e Cláudio de Almeida Aguiar, além dos policiais do Dops, Jair Gonçalves da Mota e Mario Borges de Araújo.

Campeão de remo

Nascido em 1946, Stuart nutria paixão pelo Flamengo e em especial pelo remo.

Foi bicampeão carioca pelo clube em 1964 e 1965, na classe de oito, sendo o voga do barco, aquele que imprime o ritmo e a velocidade aos demais remadores.

Em 2010, a direção do Flamengo, comandado à epoca pela ex-nadadora Patrícia Amorim, e o Ministério dos Direitos Humanos inauguraram um memorial em sua homenagem na sede náutica do clube, na Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul carioca, para lembrar as vítimas da ditadura militar dentro do programa Lugares de Memória.

A placa de bronze com a honraria desapareceria em 2016, durante os preparativos para os Jogos Olímpicos no Rio.

Ditadura nunca mais

Em 31 se março 2019, a data do golpe militar coincidiu com a final da Taça Rio. E um grupo de torcedores e sócios do clube estampou em camisetas do Flamengo o nome de Stuart.

A direção da agremiação à época, sob o comando do empresário Rodolfo Landim, apressou-se para dissociar o clube da homenagem feita ao ex-atleta.

No dia 1° de abril de 2023, torcedores flamenguistas voltaram a homenagear Stuart e abriram faixas no Maracanã, inclusive, contra os torturadores da ditadura militar.

Faixa estendida no túnel do Maracanã que dá acesso ao gramado Foto: Reprodução

A arquibancada também mandou recado para os torturadores Foto: Reprodução

Até hoje a placa em homenagem a Stuart não foi recolocada no memorial.

Em 2023, o Ministério Público Federal cobrou uma resposta do Flamengo, mas o clube alegou que desconhecia sua localização.

No mesmo ano, um grupo de torcedores fez uma placa para colocá-la no mesmo local, mas a diretoria, presidida por Landim, impediu sua instalação.

A placa original de bronze ficava em frente à garagem dos barcos, onde Stuart se escondeu da repressão.

Placa que desapareceu Foto: Reprodução/MPF

Memória

O Instituto Zuzu Angel inaugurou, em 2015, um busto em homenagem a Stuart em frente ao campus da Praia Vermelha da UFRJ, na Urca, na zona sul.

Perto dali, também há uma ciclovia com o nome do atleta e combatente contra a ditadura militar.

O Centro Acadêmico dos alunos da Economia da UFRJ, também incorporou o nome de Stuart à entidade estudantil.

O Casa (Centro Acadêmico Stuart Angel) é um dos que apoiam a entrega póstuma do diploma do colega à família pela reitoria da Universidade.

Busto de Stuart Angel, esculpido por Edgar Duduvier, em frente à UFRJ Foto: Reprodução

Serviço

Diplomação póstuma de Stuart Angel

Quando: Dia 7 de julho, às 16h30

Onde: Salão Dourado do Palácio Universitário da UFRJ, com acesso pelas avenidas Pasteur, 250 e Venceslau Brás, 65, no campus da Praia Vermelha, Urca/Botafogo.


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