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HISTÓRIA DO BRASIL

Na data dos 50 anos da morte de Vlado, Holofote mostra o DOI-Codi por dentro e o sobrado onde Ustra morou

Vlado entrou por esse portão do DOI-Codi na rua Tomás Carvalhal,1.030, na manhã de sábado, 25, e a tarde foi morto sob tortura Fotos e vídeos: Lúcia Rodrigues

25 de outubro de 2025 - 22h33

Por Lúcia Rodrigues

Na data que marca os 50 anos da morte sob tortura do jornalista Vladimir Herzog, Holofote retornou ao DOI-Codi, o principal centro de tortura da ditadura militar, para mostrar as entranhas desse local macabro onde mais de 10 mil pessoas foram torturadas, mais de 50 foram mortas, muitas das quais continuam desaparecidas até hoje.

É o caso de Virgílio Gomes da Silva, o comandante Jonas, da ALN, a Ação Libertadora Nacional. Ele foi o primeiro desaparecido político da ditadura.

Era odiado pelos militares porque havia comandado a ação mais espetacular da guerrilha, ao capturar o embaixador estadunidense, Charles Burke Elbrick, em 4 de setembro de 1969.

Holofote esteve na sala de tortura em que Virgílio foi morto horas depois de ter sido preso no apartamento de companheiros da ALN, no centro da capital paulista, no dia 29 de setembro de 1969.

Enquanto era trucidado na tortura, ele gritava que estavam matando um brasileiro.

Para zombar do comandante da ALN, seus algozes o vestiram, depois de morto, com uma camiseta amarela, um calção verde e colocaram meias vermelhas, porque a base era comunista.

A reportagem também esteve no sobrado ao lado das câmaras de tortura, onde o então comandante do DOI-Codi, major Carlos Alberto Brilhante Ustra, morou com a família.

Assista a seguir aos vídeos.

 

 

 

O fundo do DOI-Codi também era cercado por residências. Ninguém ignorava que ali era um centro de tortura da ditadura militar. Os gritos dos torturados eram ouvidos por todos.

 

A certidão de óbito de Vladimir Herzog, emitida em 2009, ainda trazia como causa mortis a farsa do suicídio difundida pela ditadura militar: asfixia mecânica por enforcamento.

A nota mentirosa sobre a morte de Vlado divulgada para a imprensa pelo comando do II Exército.

O grupo @Norateatro, de Campinas, apresentou trecho da peça Fábrica de Chocolate, de Mário Prata, e direção de Marco Pedra, que aborda justamente a farsa de um suicídio, como o de Vlado.

A apresentação ocorreu durante a visita guiada ao DOI-Codi conduzida pelo historiador César Novelli Rodrigues, do Núcleo de Preservação da Memória Política, neste sábado 25.

Apenas em 2013, com a formação da Comissão da Verdade, foi possível retirar a mentira da certidão de óbito de Vladimir Herzog.

O ex-presidente da Comissão Estadual da Verdade de São Paulo, Adriano Diogo, compareceu ao evento deste sábado e afirmou que ficou 90 dias preso no DOI-Codi.

Nesse período, além das torturas sofridas, descobriu o envolvimento do ex-goleiro da Seleção Brasileira e do Santos, Gilmar dos Santos Neves, com a repressão.

Adriano conta que Gilmar ia com frequência ao DOI-Codi porque esquentava os documentos dos carros que os militares roubavam dos opositores da ditadura.

“Vinha toda a semana, aqui, trazer documentos. Vivia aqui na repressão. Era o queridinho dos caras”, enfatiza.

O contato do jogador no centro de tortura era o ex-arbítro de futebol Dulcídio Wanderley Boschilia, que trabalhava no DOI-Codi à época.

Adriano diz que também soube que Gilmar conseguia carros na GM sem impostos para os militares.

Detalhe da fachada do 36° Distrito Policial, onde também funcionou o DOI-Codi e que ironicamente traz a inscrição Paraíso, por estar no bairro de mesmo nome, na rua Tutóia, 921.

As duas ruas carregam o peso de terem em seus números a sede do principal centro de tortura da ditadura militar.

No detalhe, o número 1.030 da Tomás Carvalhal por onde Vlado entrou para a morte. 


Comentários

Expedito Solaney

25/10/2025 - 23h01

Parabéns Lúcia você eh muito boa !
A matéria ficou completa, um jornalismo factual, absolutamente baseado nos fatos com significado. Para que nunca mais aconteça.
Vamos à luta e vamos vencer!

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