Apoie o holofote!
Busca Menu

COMBATENTES DO BRASIL

Manifestação em São Paulo homenageia Marighella e Clara Charf

Sarita Charf, irmã de Clara Charf, ao lado Adriano Diogo, que coordenou a homenagem. De paletó cinza, Carlinhos Marighella, filho de Marighella. Fotos e vídeos: Lúcia Rodrigues

04 de novembro de 2025 - 23h51

Por Lúcia Rodrigues

A homenagem a Carlos Marighella que ocorre anualmente em 4 de novembro, para lembrar a data de sua morte pelas forças de repressão da ditadura militar, nesta terça-feira, 4, estendeu a reverência à sua companheira de luta e de vida, Clara Charf, que faleceu nessa segunda-feira, 3, aos 100 anos de idade.

Companheiros de organização política, familiares e ativistas de direitos humanos se reuniram em frente ao número 815 da alameda Casa Branca, nos Jardins, na capital paulista, local da execução do comandante da ALN, a Ação Libertadora Nacional, para celebrar a memória e o legado do casal.

O jornalista Fernando Morais foi um dos que compareceram à homenagem, coordenada pelo ex-presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo, Adriano Diogo.

Carlinhos Marighella e o jornalista Fernando Morais

Acompanhe a seguir, algumas das intervenções feitas em homenagem ao casal.

A jornalista Rose Nogueira, ex-presa política, e amiga de Clara Charf, recordou que tomava lanche com a companheira toda semana. “Foi uma das minhas melhores amigas. E quando ela já não lembrava de nada (pelo Alzheimer), me disse: ‘ah, você é a moça que me trazia guaraná.'”

 

Emocionada, Sarita Charf também esteve presente ao ato em homenagem à irmã e ao cunhado.

 

José Luiz Del Roio, ex-dirigente da ALN, a Ação Libertadora Nacional, revela que Clara Charf não era nordestina. “Ela nasceu na União Soviética, na Ucrânia, região de grande perseguição aos judeus. A família fugiu (dos nazistas) e assustada inventou que ela era nordestina.”

 

O advogado e ex-combatente da ALN, Aton Fon Filho, frisa que os militantes da Geração 68 estão envelhecendo, mas que apesar disso continuam dispostos à luta. “Quando eu vi Gregório Bezerra sendo arrastado nas ruas de Recife, o que me motivou a me tornar comunista foi a coragem e a dignidade daquele velho.”

 

Carlinhos Marighella, filho de Marighella, destacou os anos de convivência com Clara Charf. “Ela era reta em todas as circunstâncias, em todos os momentos”, frisou ao se referir à conduta dela.

 

A cineasta Isa Grinspum, sobrinha de Clara e Marighella, destacou o relacionamento entre os tios. “Eles eram na vida doméstica, no dia a dia, em cada gesto, em cada ação, tudo que pregavam. E ela partiu ontem, véspera de hoje (data da morte de Marighella). É um encontro de almas.”

 

O professor e dirigente do MST, Marcelo Buzetto, destacou a importância da luta dos dois para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. “O MST não existiria do jeito que é, se não houvesse pessoas como Carlos Marighella e Clara Charf.”

 

Maurice Politi, diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política, ressaltou o papel desempenhado por  Joaquim Câmara Ferreira, o Toledo, na condução da ALN após a execução de Marighella. “Três lutadores pelo socialismo. Viva Marighella, Viva Clara e Viva Toledo.”

 

Amelinha Teles, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, enfatizou o papel desempenhado pela feminista Clara Charf na defesa da luta das mulheres. “A Clara está na História do Brasil, assim como Marighella.”

 

O jornalista e ex-preso político Paulo Canabrava frisou que se Marighella estivesse vivo estaria na luta pela libertação nacional. “Na luta contra as oligarquias e o imperialismo. Viva Carlos Marighella e Clara Charf.”

 

O professor universitário Cloves Alexandre de Castro, filho de Cloves de Castro combatente da ALN que durante anos organizou a homenagem anual a Marighella, ficou alegre ao ouvir dois trabalhadores na alameda Casa Branca  comentarem que nesta terça, 4, teria ato em homenagem a Marighella. “Nossa presença, anualmente aqui, é formativa.”

 

O cantor Ernesto de Carvalho, filho de Devanir de Carvalho morto sob tortura, lembrou que os combatentes que lutaram contra a ditadura militar queriam um país melhor para todos. “Marighella, presente!”

 

A documentarista Marta Nehing, filha do desaparecido político Norberto Nehing, pediu a punição dos repressores. “Sem anista para golpistas, sem anistia para torturadores, sem anistia para os assassinos de ontem e de hoje.”

 

 

 

 


Comentários

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!

Deixe seu comentário

Outras matérias