Plenária na Cúpula dos Povos cobra justiça e reparação por crimes de empresas envolvidas com ditadura militar
14 de novembro de 2025 - 02h30
Da redação
A plenária por Justiça e Reparação marcada para a tarde desta quarta-feira, 14, na Cúpula dos Povos, evento da sociedade civil paralelo à COP 30, em Belém do Pará, pretende dar mais um passo rumo à justiça de transição no país.
Às 15h, militantes de direitos humanos, indígenas e camponeses se reúnem no auditório do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas da UFPA, a Universidade Federal do Pará, para debater estratégias que pressionem pela responsabilização de empresas envolvidas com a ditadura militar na repressão aos opositores do regime.
Quatorze empresas estão sendo investigadas pela justiça: Aracruz, Belgo-Mineira, Cobrasma, CSN, Docas Porto de Santos, Embraer, Fiat, Folha de São Paulo, Josapar, Itaipu Binacional, Mannesmann, Paranapanema, Petrobras e Volkswagen.
A Volks já foi, inclusive, condenada.
Os debates também serão direcionados para o avanço por reparação a povos indígenas e camponeses atingidos pela ditadura militar.
O relatório da Comissão Nacional da Verdade aponta que aproximadamente nove mil indígenas foram atingidos por essa simbiose entre empresas e ditadura militar, segundo Sebastião Neto, coordenador do IIEP (Intercâmbio, Informações, Estudos e Pesquisas).
Ele também ressalta que o professor da UnB e coordenador da Comissão Camponesa da Verdade, Gilney Viana, revela que 2.200 camponeses foram assassinados por essa dobradinha macabra.
O objetivo da plenária desta sexta é construir uma articulação entre esses setores para o fortalecimento da luta por memória, verdade, justiça e reparação.
“Queremos mostrar que além da violência de Estado, também ocorreu a violência praticada por essas empresas”, reforça.
Mães de vítimas da violência policial no Pará também participam do encontro organizado pelo IIEP, pela Associação de Ativistas por Reparação e pelo Fórum da Amazônia por Reparação e Justiça.



