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ANOS DE CHUMBO

Prédio do Dops no Rio, centro de tortura das ditaduras militar e do Estado Novo, pode ser tombado pelo Iphan

Fachada do prédio onde funcionou o Dops do Rio, na rua da Relação, no centro da capital carioca Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

24 de novembro de 2025 - 19h42

Da redação

O prédio do Dops no Rio de Janeiro, onde funcionou um centro de tortura nas ditaduras militar e do Estado Novo, pode ser tombado definitivamente pelo Iphan, na próxima quarta-feira, 26, quando seus técnicos se reúnem para analisar o caso.

Esse passo é fundamental para que o espaço possa vir a ser transformado em um memorial em homenagem àqueles que combateram as duas ditaduras.

Além do valor arquitetônico da construção centenária, o edíficio da rua da Relação, 40, no centro da capital carioca, carrega também componentes históricos e simbólicos.

Olga Benário, Luiz Carlos Prestes, Carlos Marighella, Jorge Amado são alguns dos presos políticos que passaram pelo local.

O tombamento impedirá que as dependências do antigo Dops sejam descaracterizadas.

Local onde funcionou o gabinete de Filinto Müller, chefe da polícia política de Getúlio Vargas Foto: Felipe Nin/Coletivo RJ Memória, Verdade, Justiça e Reparação

“Um grande momento. Importante para a luta dos direitos humanos. Para poder garantir a preservação do prédio e das memórias difíceis que ele guarda. Ressignificar e lembrar para que nunca mais aconteça”, frisa Rafael Maul, diretor do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro (GTNM-RJ).

Historiador e professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, ele ressalta que a luta pela transformação do local em um memorial em homengem aos que combateram as ditaduras se estende há quatro décadas.

O GTNM-RJ batalha pela transformação do prédio do Dops em um centro de memória desde sua fundação em 1985.

Rafael destaca que além da preservação do prédio, documentação a respeito do período também poderá ser integrada ao memorial, além da realização de atividades para a população conhecer a história dos Anos de Chumbo.

“Um espaço de memória contra a violência de Estado, para que nunca mais aconteça”, enfatiza.

A professora da Universidade Federal Fluminense e fundadora do GTNM-RJ, Cecília Coimbra, é uma das ex-presas políticas da ditadura militar que foi torturada no Dops carioca.


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