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TRUCULÊNCIA

Entidades de jornalistas repudiam censura e agressões a profissionais da categoria na Câmara

10 de dezembro de 2025 - 08h53

Da redação 

Após as cenas de violência protagonizadas pela polícia legislativa da Câmara dos Deputados contra jornalistas que cobrem o Parlamento, na tarde dessa terça-feira, 9, entidades da categoria soltaram notas repudiando as agressões.

A transmissão da TV foi cortada para impedir que as imagens fossem divulgadas ao vivo. Hugo Motta só esqueceu que em tempos de celulares e redes sociais, as cenas de selvageria se espalharam como rastilho de pólvora.

As agressões ocorreram quando os jornalistas acompanhavam o protesto do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), que ocupou a mesa da Câmara para denunciar a possível cassação de seu mandato no plenário da Casa.

No ataque policial, além da agressão contra Glauber, deputadas e deputados que tentavam evitar a violência também foram agredidos.

Leia a seguir a nota conjunta da Fenaj, a Federação Nacional dos Jornalistas, e do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal. Veja também a nota divulgada pela ABI, a Associação Brasileira de Imprensa.

“Fenaj e SJPDF repudiam grave censura à imprensa e agressões a jornalistas na Câmara dos Deputados

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) repudiam veementemente o episódio de violência contra profissionais da imprensa na Câmara dos Deputados, na tarde desta terça-feira (9), e o desligamento do sinal da TV Câmara, que transmitia ao vivo os acontecimentos no Plenário da Casa. Diversos relatos dão conta de profissionais agredidos por policiais legislativos.

Por orientação do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas e assessores de imprensa foram retirados pela Polícia Legislativa do Plenário da Câmara, e impedidos de realizar seus trabalhos. A transmissão da TV Câmara também foi interrompida, impedindo também o trabalho de profissionais da tevê pública, que devem reportar os acontecimentos da Casa.

O episódio de censura e agressão à imprensa ocorreu depois de o deputado Glauber Braga ocupar a cadeira da presidência da mesa diretora, após o anúncio pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, de colocar seu processo de cassação em votação no plenário. Glauber Braga também se opôs à votação do projeto que visa diminuir a pena de Jair Bolsonaro e demais envolvidos na tentativa de golpe de Estado e nos atos de violência e atentado à democracia do 8 de janeiro de 2023.

O deputado do Rio de Janeiro se declara perseguido depois de denunciar o orçamento secreto e os atos do ex-presidente Arthur Lira. A sua cassação foi aprovada na Comissão de Ética após o parlamentar reagir às provocações de um militante de extrema direita dentro da Câmara.

A Fenaj e o SJPDF consideram extremamente grave o cerceamento ao trabalho da imprensa e à liberdade e ao direito de informação da população brasileira. Mais grave ainda são os episódios de agressões físicas a profissionais da imprensa, que levam informação sobre o funcionamento da casa legislativa à sociedade brasileira.

As entidades cobram explicações do presidente da Câmara, Hugo Motta, e responsabilização do mesmo e de todos que agrediram jornalistas por este sério atentado a um importante pilar da democracia brasileira.

Ao mesmo tempo, as entidades se solidarizam com os e as colegas trabalhadores da imprensa, bem como com as e os parlamentares que foram agredidos pela Polícia Legislativa ao tentar barrar mais um dos tantos absurdos que a Casa tem pautado nos últimos dias.

Não podemos admitir que medidas autoritárias, que remontam às vividas em um período não tão distante durante a ditadura militar, sejam naturalizadas e se repitam em nosso Congresso Nacional – que deveria ser a casa do povo e não de quem ataca os direitos da população. Seguimos atentos e acompanhando os desdobramentos desse lamentável e absurdo episódio.

A Fenaj e o SJPDF não aceitam mais a volta do período de ataques diários contra os jornalistas que cobrem os poderes em Brasília. Não aceitamos a volta aos ataques à nossa democracia. Que todos condenados pela tentativa de golpe de estado cumpram suas penas. Sem anistia!”


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