Documentário Jango no Exílio será exibido no Memorial da Resistência, nesta sexta
01 de outubro de 2025 - 19h54
Por Lúcia Rodrigues
Jango no Exílio, documentário que retrata a vida do ex-presidente João Goulart no exterior após ter sido deposto pelo golpe militar, será exibido no Memorial da Resistência, no centro da capital paulista, nesta sexta-feira, 3, às 15h.
Após a exibição do filme vai ocorrer um bate-papo com o diretor Pedro Isaías Lucas e o historiador e presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, o gaúcho Jair Krischke.
Referência mundial na defesa dos direitos humanos, Krischke acompanhou o processo de filmagem do documentário rodado no Uruguai e na Argentina.

O presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Jair Krischke Foto: Mirian Fichtner/Matinal
Ao longo de mais de oito décadas de vida, Krischke ajudou a construir parte da História do Brasil. Participou da Campanha da Legalidade, encabeçada pelo ex-governador Leonel Brizola, em 1961, que garantiu a posse de Jango.
“Se falava que o Brasil era o país do futuro. Quando Jango chega ao governo e propõe as reformas de base, a minha sensação era a de que o futuro tinha chegado. Mas logo em seguida os militares vieram com toda a força e liquidaram o nosso sonho”, recorda.
Ele considera que o Ministério montado por João Goulart foi o melhor de todos. “O melhor que este país já teve, tinha qualidade em todas as áreas.”
E acrescenta: “João Goulart foi derrotado por suas virtudes e qualidades. As reformas de base fariam o Brasil dar um salto, e hoje seria certamente uma das maiores potências do mundo”.
Sobre o documentário, ele explica que foram entrevistados familiares e pessoas do círculo de convivência de Jango no exílio. O motorista do ex-presidente é um deles.
Jango estancieiro
“Jango era um grande pecuarista e entendia muito de agricultura. Tanto no Uruguai como na Argentina se admiravam com sua capacidade de avaliar o gado. Tinha uma expertise como pecuarista, aprendida no Brasil, em São Borja, onde nasceu e viveu.”
E revela: “No Uruguai (para onde foi ao se exilar), Jango começa a plantar arroz, uma grande novidade no país. Constrói barragens e inicia o cultivo”.
Lá ele também cria um frigorifico. “E antes de morrer estava começando a tratar de produzir frangos, e se tranformar em avicultor, coisa que até hoje o Uruguai carece. Importa muito do Brasil. Poderia ter uma boa produção se Jango não tivesse morrido.”
O ex-presidente também levou a técnica de produção de arroz para a Argentina. “Quando ele compra uma estância em Mercedes, introduz o cultivo do arroz no país, que até então não produzia um grãozinho. Construiu barragens e incentivou as pessoas a produzirem. E hoje, o maior produtor de arroz na Argentina é Mercedes, graças a João Goulart”, enfatiza.
Na Argentina, ele também participou do último governo do presidente Juan Domingo Perón. “Perón era muito amigo de Jango e o convidou para participar de sua equipe econômica quando voltou ao poder. Participa da equipe econômica para elaborar planos de desenvolvimento para a Argentina.”
“Esse era João Goulart, pessoa que deveria ser bem mais conhecida no Brasil, e admirada, porque foi um estadista”, destaca, ao ressaltar que o ex-presidente era odiado pelos militares.
Jango no Exílio faz o resgate dos 12 anos de sua trajetória vivida no Uruguai e na Argentina.
Assista a seguir ao trailer do documentário.




