Ambulantes com deficiência visual grave se acorrentam em frente à Prefeitura de SP em protesto para trabalhar
28 de outubro de 2025 - 09h39
Da redação
Trabalhadores ambulantes com grave deficiência visual se acorrentaram em frente à sede da Prefeitura de São Paulo, no centro da capital paulista, na manhã desta terça-feira, 28, em protesto pela regularização de suas licenças para poderem trabalhar.
Em 2023, a Subprefeitura da Sé transferiu 17 trabalhadores para a região da rua 25 de Março, apenas com licenças provisórias.
Desde então, a renovação da autorização tem de ser realizada a cada 30 dias.
Segundo o dirigente da CMP (Central de Movimentos Populares) e advogado do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, Benedito Roberto Barbosa, o Dito, a Subprefeitura da Sé estaria se recusando a renovar as licenças definitivas para o trabalho dos ambulantes na região.
O subprefeito da Sé é o coronel da reserva da Polícia Militar, Marcelo Vieira Salles, que já foi comandante geral da PM do Estado de São Paulo.
No site da Prefeitura é informado que Vieira Salles é diplomado pela Adesg, a Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra.
Luta para trabalhar
“Está chegando o final do ano, quando a fiscalização na 25 de Março é intensificada, e eles estão preocupados, porque estão sem o documento, sem a licença (para trabalhar). Por isso, resolveram fazer o protesto para regularizar a situação”, ressalta Dito.

O advogado também denuncia a violência policial sofrida por ambulantes na cidade.
“A Prefeitura trata esses trabalhadores de forma desrespeitosa. Na região do Brás, por exemplo, existe uma violência muito grande por parte da Operação Delegada, com a Polícia Militar e a Guarda Metropolitana, a GCM, que agride ambulantes todos os dias.”
Dito ressalta que esses trabalhadores com deficiência visual estão com receio de serem atacados pela Operação Delegada também.
“Estão com medo de sofrerem violência por parte da Operação Delegada, porque a Prefeitura vem recrudescendo os ataques contra os ambulantes. Por isso, se acorrentaram na porta da Prefeitura.”

“A Prefeitura de Ricardo Nunes vem tratando os trabalhadores ambulantes na base da cacetada e da paulada, infelizmente”, critica, ao destacar que entre esses trabalhadores há vários idosos.



