Julgamento de PMs que participaram da chacina de nove jovens em Paraisópolis, em 2019, fica para ano que vem
07 de novembro de 2025 - 15h50
Por Lúcia Rodrigues
O julgamento dos 13 PMs envolvidos na chacina que matou nove jovens na Favela de Paraisópolis, na zona sul da capital paulista, quando participavam de um baile funk, em dezembro de 2019, vai ficar para o próximo ano.
Nesta sexta-feira, 7, ocorreu a audiência de instrução do julgamento, no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da cidade, para ouvir os 12 réus que respondem por homícidio e um denunciado por explosão de artefato.
Apenas a tenente Aline Ferreira Inácio se pronunciou. Os demais PMs permaneceram em silêncio.
A policial reafirmou a tese da defesa, de que não foi montada nenhuma operação prévia pela PM, que apenas reagiu a uma agressão promovida por ocupantes de uma moto, que teriam atirado contra policiais da Rocam, as Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas, da corporação.
Fato já desmentido à época por testemunhas entrevistadas pela reportagem de Viomundo.
Antes do início da audiência desta sexta, familiares e amigos das vítimas realizaram um ato em frente ao Fórum Criminal para exigir justiça.
Todos os PMs envolvidos na chacina continuam trabalhando nas ruas ou em atividades administrativas.
Os advogados assistentes de acusação, Rosa Cantal, do Grupo Tortura Nunca Mais, e Dimitri Sales, explicam que ainda não há data prevista para o tribunal do júri popular, que só vai ocorrer se o juiz do caso se pronunciar pelo crime de dolo contra a vida. “Estamos torcendo por isso”, frisa Rosa.
Terminada a fase de instrução, agora o Ministério Público tem 30 dias para apresentar seu memorial, assim como os assistentes de acusação têm mais 30, e os advogados dos réus também têm mais 30.
A promotora do caso, Luciana André Jordão Dias, já denunciou os PMs por dolo eventual, quando assumem o risco de matar.
“Eles conheciam a favela e sabiam que não havia rota de fuga naquela viela (0nde os jovens foram encurralados e mortos)”, enfatiza Rosa.
Ainda segundo ela, o laudo do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense, Caaf, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), atesta que as mortes ocorreram por asfixia mecânica. “E não por pisoteamento, como alega a defesa.”
“Nossa expectativa é a de que os réus sejam condenados pela morte dos nove jovens”, conclui Dimitri.
Danylo Quirino, irmão de Dennys Henrique Quirino, uma das nove vítimas da chacina, reafirma a importância de estar presente nas audiências de julgamento. “Para mostrar quem são os responsáveis pelo massacre, apesar das narrativas falaciosas. Nossa expectativa e levar eles (policiais assassinos) para o Tribunal do Júri. Vamos seguir na luta, nas ruas e nas redes sociais.”
Maria Cristina Quirino, mãe de Dennys Henrique e Danylo, relata que o silêncio dos réus a impactou. “A audiência era o momento mais esperado. E eles ficarem em silêncio. Foi um baque pra mim. Mas que só demonstra o tamanho da covardia. Se eles não tivessem matado nossos filhos, eles falariam.”



