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HISTÓRIA DE LUTA

Marcha da Consciência Negra marca 330 anos da morte de Zumbi, nesta quinta, 20, com ato em SP

Concentração da manifestação ocorre em frente ao Masp, na avenida Paulista Foto: Reprodução

18 de novembro de 2025 - 08h44

Da redação

Entidades ligadas ao movimento negro encabeçam manifestação na capital paulista nesta quinta-feira, 20, para lembrar os 330 anos da morte de Zumbi dos Palmares e continuar a luta contra o racismo e o genocídio da população preta.

A concentração do ato que celebra a cultura afro-brasileira vai ocorrer, às 11h, no Vão Livre do Masp, na avenida Paulista, próximo à estação Trianon do Metrô.

A manifestação também marca os 30 anos da primeira Marcha da Consciência Negra, e homenageará a guerreira Dandara.

Confira a programação ao longo do dia.

11h – Concentração no Masp
12h – Benção das religiões de matriz africana 
12h30 – Apresentações artísticas (samba, reggae, MPB, hip hop)
14h15 – Manifestação de organizações nacionais do movimento negro
14h45 – Participação de parlamentares que contribuíram para a construção da 22º Marcha
15h20 – Leitura do manifesto “Zumbi e Dandara 300 +30” e performance “Negro Drama” 
15h25 – Sheroline canta Zumbi
15h30 – Saída da Marcha com apresentações artísticas 
16h – Trajeto com tambores de marabaixo com Coletivo Amazoniando; manifestação de organizações municipais do movimento negro; trajeto com a MC Cris Assunção
17h – Encerramento em frente ao Theatro Municipal

​O itinerário da Marcha da Consciência Negra percorre a avenida Paulista. Vira à direita na rua Augusta. Segue pela rua Martins Fontes. Entra na rua da Consolação e avança pela rua Xavier de Toledo até o Theatro Municipal.

Leia a íntegra do documento divulgado pelo movimento negro.

“Manifesto

Neste dia 20 de novembro de 2025, organizações do Movimento Negro ocupam e marcham pelas ruas de São Paulo na  XXII Marcha da Consciência Negra Zumbi e Dandara 300+ 30.  Após 137 anos da falsa abolição da escravatura, para referenciar a nossa ancestralidade e afirmar que faremos Palmares de novo.

A benção aos antepassados que fizeram a dolorosa travessia do Atlântico, a benção aos mais velhos e mais velhas que aqui estiveram e as vidas negras que aqui estão e que ainda virão.

Nós, mulheres negras e homens negros, marchamos porque nossos corpos, territórios e saberes, seguem alvos de uma sociedade que nos nega direitos fundamentais para uma vida plena e com dignidade, pois somos a maioria entre os pobres, os mais explorados e violentados.

Rejeitamos o capitalismo racista que nos condena à precarização, ao adoecimento e ao trabalho análogo à escravidão. São Paulo é o terceiro estado com mais casos de trabalho análogo à escravidão, explicitando a manutenção da lógica colonialista e escravocrata.

Exigimos reparação, já! Por isso, somos defensores da aprovação da PEC 27, para que o combate ao racismo seja política permanente do Estado brasileiro.

Marchamos contra o genocídio de nossos filhos, queremos o fim da violência policial nas comunidades. A desmilitarização da Polícia Militar e a Federalização das Investigações das chacinas ocorridas nos Estados da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. Denunciamos o consórcio da Morte e queremos a responsabilização de Claudio Castro, Tarcísio de Freitas e Guilherme Derrite.

Queremos trabalho digno, jornada justa, direitos trabalhistas, descanso e lazer. Por isso, lutamos pelo fim da Escala 6X1. Queremos uma reforma tributária justa, que taxe os bancos, bets e bilionários.

Denunciamos a criminalização religiosa, como a lei nº 13.287/02 (lei do psiu), o racismo religioso, que impacta as religiões de Matriz Africana. Queremos exaltar e reverenciar a todas as religiões afro-brasileiras como patrimônio cultural brasileiro.

Nos solidarizamos com a diáspora africana, com as lutas do sahel e o povo palestino. Iremos extinguir a extrema direita fascista do mundo, para erguer dignidade humana, sem racismo ambiental, sem xenofobia, sem discriminação e preconceito.

Contra a barbárie ocorrida em territórios periféricos, erguemos o projeto de bem viver, baseado na experiência comunitária, popular, quilombola, pois por menos que conte a história, não te esqueço meu povo, se Palmares não vive mais, faremos Palmares de novo!

Axé!  Viva Zumbi dos Palmares!  Viva Dandara!”


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