Deputado fascista quer despejar Grupo Tortura Nunca Mais do Rio para dar “exemplo pedagógico”
21 de novembro de 2025 - 12h30
Por Lúcia Rodrigues
Depois de ter sido derrotado na própria Comissão que preside, o deputado estadual Rodrigo Amorim (União Brasil-RJ), o mesmo que quebrou a placa em homenagem a Marielle Franco, não desistiu de despejar o Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro de sua sede em Botafogo, na zona sul carioca.
Na última quarta-feira, 19, Amorim retirou a emenda de sua autoria, da mesma Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, após ser reintroduzida e acatada pelo relator, deputado Fred Pacheco (PMN).
O apoio de Pacheco, que foi candidato a vice-prefeito na chapa de Amorim, indeferida pela justiça eleitoral na eleição do ano passado, à propositura não foi suficiente para o ultradireitista se sentir seguro de que desta vez seria aprovada na Comissão.
Temendo mais uma derrota, Amorim preferiu retirá-la da relação de imóveis do Estado a serem vendidos, para apresentá-la diretamente no plenário da Casa.
Apesar de ainda não constar da pauta que irá a plenário na próxima semana. Não está descartada a possibilidade de ele reintroduzir a discussão, incluindo o tema como pauta extra.
Ele já deixou claro que não vai abrir mão de despejar o Grupo Tortura Nunca Mais de sua sede, onde está há mais de 30 anos.
E declarou que a medida serve como “exemplo pedagógico” para outras entidades de defesa dos direitos humanos.
A decisão é uma retaliação à atuação do GTNM-RJ, em especial a sua postura em relação ao projeto do governador Cláudio Castro (PL).
“É inadmissível o que está acontecendo. Uma indecência. Um festival de loucura e mau-caratismo”, enfatiza a professora Victória Grabois, diretora do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio.
O GTNM-RJ é reconhecido nacional e internacionalmente por sua atuação na defesa dos direitos humanos.
Recentemente, Victória e Cecília Coimbra, também diretora do Grupo, receberam prêmios do Programa de Pós Graduação em Políticas Públicas em Direitos Humanos da UFRJ, a Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Victória Grabois Foto: Arquivo pessoal

Cecília Coimbra Foto: Arquivo pessoal
No vasto currículo de agressões aos direitos humanos, Amorim acrescenta também ataques contra o patrimônio dos cariocas.
Victória frisa que ele apresentou emendas para vender os estádios do Maracanã e Engenhão, além da centenária estação ferroviária Central do Brasil e a Rodoviária do Rio.
A Aldeia Maracanã e as Casas Nem e Almerinda Gama também estão nessa relação.
Ela solicita o apoio dos defensores de direitos humanos para barrar os ataques contra o despejo.
“Clamamos aos amigos e companheiros que nos ajudem nessa campanha e assinem o abaixo-assinado”, enfatiza.
Para assinar o documento de apoio ao GTNM-RJ, clique aqui.



