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RECONHECIMENTO

Greenhalgh e Ilda, viúva de Virgílio Gomes da Silva, serão homenageados neste sábado

Ilda Martins da Silva e Luiz Eduardo Greenhalgh Fotos: Arquivo pessoal e Jairo Lavia

12 de dezembro de 2025 - 07h51

Da redação

O Prêmio Memória e Resistência será entregue ao advogado de presos políticos na ditadura militar, Luiz Eduardo Greenhalgh, e à ex-presa política Ilda Martins da Silva, viúva de Virgílio Gomes da Silva, o comandante Jonas, que liderou a captura do embaixador estadunidense, Charles Burke Elbrick, em 1969.

A solenidade ocorre neste sábado, 13, às 11h, no antigo DOI-Codi de São Paulo, onde funcionou o principal centro de tortura da ditadura militar, na rua Tutóia, 921, no Paraíso, na zona sul da cidade. A data coincide com a decretação há 57 anos do AI-5, o Ato Institucional mais perverso da repressão.

A premiação está em sua terceira edição e é entregue pelo Núcleo de Preservação da Memória Política. Na edição do ano passado, Adriano Diogo, ex-presidente da Comissão Estadual da Verdade de São Paulo, e a atriz Dulce Muniz foram os homenageados.

Lutadores

Greenhalgh trocou uma carreira estável no escritório de advocacia de seu pai, para se dedicar à defesa de presos políticos, entre eles o então metalúrgico Luiz Inácio da Silva, o Lula.

Fundador do Comitê Brasileiro pela Anistia e do Partido dos Trabalhadores, integrou a equipe do Brasil Nunca Mais, que revelou ao mundo os crimes da ditadura militar.

Foi vice-prefeito de São Paulo, na gestão da prefeita Luiza Erundina, e deputado federal por quatro mandatos em Brasília.

Ilda foi presa em 1969 com três dos quatro filhos e com Manoel Cyrillo de Oliveira Netto, companheiro de Vírgilio na ALN, a Ação de Libertação Nacional, quando se preparavam para sair do país.

Após permanecer nove meses presa e ser brutalmente torturada, Ilda seguiu com os filhos para o exílio.

No périplo com as quatro crianças, a mais nova com meses de vida, passou pelo Paraguai, Argentina e Chile, até chegar a Cuba, onde todos os filhos se formaram na universidade.

Virgílio foi o primeiro desaparecido político da ditadura. Até hoje, os militares não entregaram seus restos mortais à família.

Espaço de memória

Para o historiador César Novelli Rodrigues, do Núcleo Memória, o local onde será realizada a premiação é importante por ressignificar o passado.

“Traz à tona as experiências das vítimas. Possibilita que a sociedade enfrente seu passado de forma crítica, promovendo a justiça e a reparação.”

Neste sábado, também será realizada uma visita guiada ao prédio onde funcionou o DOI-Codi nos Anos de Chumbo.


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