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ANOS DE CHUMBO

Operário Manoel Fiel Filho, morto sob tortura pela ditadura no DOI-Codi há 50 anos, será homenageado em SP

O metalúrgico Manoel Fiel filho Foto: Memorial da Resistência

17 de janeiro de 2026 - 09h44

Da redação

O operário metalúrgico Manoel Fiel Filho assassinado sob tortura há 50 anos no DOI-Codi de São Paulo, o principal centro de tortura da ditadura militar, será homenageado na próxima segunda-feira, 19, às 18h, na antiga sede do sindicato da categoria, hoje sede do Sindicato dos Aposentados da Força Sindical, na rua do Carmo, 171, na Sé, no centro da cidade.

Na ocasião será lançado o livro Carrascos da Ditadura, do jornalista Jorge Oliveira, que também é o diretor do documentário Perdão, Mister Fiel.

O filme será exibido na solenidade em memória do metalúgico assassinado, mas pode ser assistido abaixo em sua versão disponível no YouTube.

Na cerimônia também será entregue a Medalha Manoel Fiel Filho a militantes dos movimentos operário e sindical.

O evento é organizado pela Fundação Astrojildo Pereira e tem o apoio de várias centrais sindicais, entre elas a CUT, CTB, Força Sindical, CSP Conlutas e Intersindical.

História

Alagoano de Quebrangulo, Manoel Fiel Filho mudou para São Paulo na década de 1950.

Na capital paulista trabalhou como padeiro e cobrador de ônibus, antes de se tornar metalúrgico.

Foi preso na Metal Arte, fábrica onde trabalhava há 19 anos, em 16 de janeiro de 1976 por agentes do DOI-Codi que se apresentaram como funcionários da prefeitura.

Vinte e quatro horas depois estava morto. Assim como Vladimir Herzog, a repressão tentou montar a farsa de suicídio. Os torturadores alegaram que Fiel Filho havia se enforcado com as próprias meias.

Farsa facilmente desmontada pois os presos não podiam permanecer de meias, conforme relatos de ex-presos políticos que passaram pelo DOI-Codi e por outros centros de tortura. Além disso, colegas de trabalho de Fiel Filho afirmaram que no momento da prisão ele calçava chinelos.

Militante do PCB, o Partido Comunista Brasileiro, o metalúrgico era responsável pela organização dos trabalhadores na Mooca, então bairro operário da zona leste da capital paulista, além de promover a divulgação do jornal do Partido, Voz Operária, entre os operários.

Sua morte aos 49 anos de idade, na esteira do assassinato de Herzog no ano anterior, foi o estopim para a queda do comandante do II Exército, general Ednardo D’Ávila Mello, e do chefe do Centro de Informações do Exército, Confúcio Danton de Paula Avelino.

Isso não impediu, no entanto, que a máquina da ditadura continuasse agindo impunente. Em apenas 30 dias, o IPM, Inquérito Policial Militar, foi concluído e determinou o arquivamento do caso.

Além disso, a família foi pressionada a não questionar a morte, mesmo tendo constatado diversas marcas de tortura no cadáver.

Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade produziu um laudo pericial que comprovou que a morte de Manoel Fiel Filho ocorreu sob tortura nas dependências do DOI-Codi da rua Tutoia e não por suicídio, como a ditadura militar havia divulgado à época.

Fac-símile do livro

Assista a seguir ao documentário Perdão, Mister Fiel.


Comentários

Geraldo leite

18/01/2026 - 12h34

Ampla divulgação ,história de um período que precisa ser sempre relembrada

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