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JUSTIÇA

Reinaldo, craque do Atlético Mineiro, é anistiado por perseguição da ditadura militar

Reinaldo e a ministra Macaé Evaristo comemoram a decisão Foto: Clarice Castro/MDHC

02 de dezembro de 2025 - 18h55

Da redação

A Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania anistiou nesta terça-feira, 2, o maior artilheiro da história do Atlético Mineiro, José Reinaldo Lima, o Reinaldo, ou simplesmente Rei, como também era conhecido nos gramados.

Além da indenização no valor de R$ 100 mil, a Comissão também pediu perdão ao craque da camisa 9, pela perseguição sofrida desencadeada pela ditadura militar.

Reinaldo foi monitorado pelo SNI, o Sistema Nacional de Informações, órgão de arapongagem da ditadura para controlar os passos das pessoas consideradas perigosas pelo regime.

Em seu relato, ele ressaltou que essa perseguição se estendeu também para a esfera esportiva por seus posicionamentos críticos à ditadura militar e na defesa da volta da democracia.

O punho cerrado no ar na comemoração dos gols, identificado como gesto dos Panteras Negras, enfurecia os generais.

“Talvez vocês se lembrem da minha trajetória nos campos, mas pode ser que não saibam da luta, muitas vezes silenciosa, que tive que enfrentar. Todos nós sabemos dos horrores da ditadura que tiraram a vida de tantos brasileiros, mas a repressão do Estado foi muito além dos porões e das celas e não usava só a violência física”, frisou em sua intervenção.

Sua postura crítica lhe custou caro.  “Eles criavam campanhas de difamação, verdadeiras operações para acabar com a reputação e a vida social das pessoas que eles consideravam inimigos ou ameaças. Era uma máquina de propaganda e mentiras que agia nas sombras com resultados terríveis na vida real.”

“Queriam calar a minha voz, diminuir a minha força, e acabaram com a minha vida e minha carreira. Essa forma de violência do Estado que ataca a honra, a imagem e a dignidade é tão grave quanto as outras e busca destruir as pessoas por dentro, tirando seu lugar no mundo e no futuro. É uma violência que deixa marcas profundas e duradoura”, completou.

O voto da conselheira Rita Sipahi, pela anistia de Reinaldo, foi acompanhado unanimemente pelos demais membros que integram a Comissão de Anistia.


Comentários

Ed Nezer

03/12/2025 - 08h52

“Quem” acabou com a carreira ( êpa ! ) dele foram as cirurgias nos joelhos, técnicas abandonadas e substituídas com o passar do tempo. Lembrando, Reinaldo jogou a Copa de 1978, convocado pelo técnico Cláudio Coutinho, capitão do exército. Sócrates era tão ou mais ativo, principalmente nas “diretas já” e não consta ter sido incomodado. Mas assim é a história, contada e recontada aí sabor dos ventos.

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