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TRUCULÊNCIA

Reitoria da USP diz que não foi informada sobre invasão da PM e dá a entender que ordem partiu de Tarcísio

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

10 de maio de 2026 - 14h44

Por Lúcia Rodrigues

A reitoria da USP publicou nota no Jornal da Universidade, neste domingo, 10, em que afirma que não foi informada sobre a invasão da Polícia Militar, que ocorreu nesta madrugada, ao prédio onde os estudantes em greve estavam acampados desde quinta-feira.

O documento vem na esteira de uma chuva de notas de repúdio à violência policial e à postura do reitor Aluísio Segurado e do governador Tarcísio de Freitas.

As direções de faculdades e institutos da USP, como a FFLCH, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Direito do Largo São Francisco e de Ribeirão Preto, ECA, a Escola de Comunicações e Artes, Educação, Medicina, Saúde Pública, Psicologia, Química, Esalq (Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz) de Piracicaba, Escola de Enfermagem e os departamentos de História da FFLCH e de Direito do Trabalho e da Seguridade Social da Faculdade de Direito são algumas das que se manifestaram contra a violência policial e em solidariedade às vítimas.

As presidências das Comissões de Inclusão e Pertencimento da Universidade marcaram posição contrária a invasão da PM.

O IEB, Instituto de Estudos Brasileiros, emitiu comunicado de repúdio.

A Rede Não Cala, que reúne professoras e pesquisadoras da USP pelo fim da violência sexual e de gênero, também condenou a violência policial.

A Adusp, Adunicamp e a Adunesp, as associações dos Docentes da USP, Unicamp e Unesp, respectivamente, divulgaram notas críticas, assim como o Sintunesp, o Sindicato dos Trabalhadores da Unesp.

O Fórum das Seis, entidade que reúne as associações de docentes e sindicatos de funcionários técnico-administrativos das três universidades públicas paulistas, também repudiou a truculência policial.

A reitoria, por sua vez, diz lamentar a repressão.

“A USP repudia que a violência substitua o diálogo, a pluralidade de ideias e a convivência democrática como forma de avanço de pautas e solução de controvérsias e reforça que continuará atuando com responsabilidade institucional, buscando a pacificação do ambiente universitário”, frisa trecho do documento.

E apesar de se dizer aberta ao diálogo, reitera que um novo encontro será apenas para “consolidar o que já foi encaminhado nas reuniões com a representação estudantil”.

O que na prática significa dizer que não irá negociar mais nada com os estudantes.

O professor de História da USP, Osvaldo Coggiola, é enfático na crítica a Segurado.

“A narrativa do reitor é hipócrita, lava as mãos e não condena nem protesta pela ação policial. Deveria se dirigir ao governador e à SSP (Secretaria de Segurança Pública)  condenando o ataque aos estudantes e à autonomia universitária, coisa que não fez. O DCE deveria lhe propor emitir uma nota pública conjunta, dirigida ao governador e à SSP, condenando o acontecido e exigindo reparações (aos estudantes feridos e/ou detidos), assim como o respeito à autonomia universitária. A Adusp e Sintusp poderiam se associar a essa iniciativa”, frisa.

Leia a seguir a nota da USP e na sequência as notas críticas à reitoria, PM e ao governador Tarcísio de Freitas.

Nota sobre processo de reintegração de posse do prédio da Reitoria

A Universidade de São Paulo (USP) lamenta os acontecimentos durante o processo de reintegração de posse do prédio da Reitoria, ocorrido na manhã deste domingo, dia 10 de maio. 

Cumprindo seu dever de ofício de proteção da integridade física dos docentes, servidores técnico-administrativos, estudantes e terceirizados, bem como dos espaços físicos, a Reitoria informou sobre a ocupação à Secretaria de Segurança Pública (SSP), no mesmo dia do ocorrido (7/5), com vistas à adoção dos protocolos de proteção e de preservação da ordem de competência das autoridades policiais. 

Na manhã deste dia 10 de maio, sem comunicação prévia à Reitoria, houve a desocupação do espaço público pela Polícia Militar. Segundo nota oficial da SSP, “a Polícia Militar ressalta que eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas”. 

Importante ressaltar que, ao longo de todo esse período, a Reitoria manteve a disposição permanente para o diálogo e para o acompanhamento dos encaminhamentos acordados nas negociações com o movimento estudantil. As tratativas, no entanto, chegaram a um limite diante:

  1. Do atendimento de diversos itens da pauta por parte da Reitoria;
  2. Da constituição de sete grupos de trabalho para estudo de viabilidade de outros pontos da pauta;
  3. Da insistência em reivindicações que não podem ser atendidas; e
  4. De itens de pauta fora do âmbito de atuação da Universidade e a presença de pessoas externas à comunidade acadêmica.

A Reitoria segue aberta a um novo ciclo de diálogo com a finalidade de consolidar o que já foi encaminhado nas reuniões com a representação estudantil, o que pressupõe a manutenção do direito de ir e vir em todos os espaços da Universidade.

Por fim, a USP repudia que a violência substitua o diálogo, a pluralidade de ideias e a convivência democrática como forma de avanço de pautas e solução de controvérsias e reforça que continuará atuando com responsabilidade institucional, buscando a pacificação do ambiente universitário.”

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Nota da FFLCH-USP

“COMUNICADO DA DIREÇÃO

Diante da violenta desocupação do prédio da reitoria acontecida nesta madrugada de domingo, a direção da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas repudia o recurso à violência policial, ainda mais na calada da noite, sem sequer tentativas de negociação para uma solução pacífica, e com aspectos de brutalidade exibidos em imagens que circulam pela mídia. Qualquer que fosse a avaliação sobre a ação dos estudantes, esse é o meio mais inadequado de resolver conflitos dentro da Universidade. A direção se solidariza com todas as pessoas da comunidade atingidas por essa violência.

Direção da FFLCH”

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Nota conjunta das faculdades de Direito do Largo São Francisco e de Ribeirão Preto

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Nota do Instittuto de Psicologia da USP

COMUNICADO DA DIREÇÃO

A Direção do Instituto de Psicologia manifesta seu repúdio à retirada forçada de estudantes do prédio da Reitoria, em ação realizada na madrugada, marcada pelo uso de força policial e pela ausência de qualquer iniciativa de diálogo ou negociação para a desocupação. O emprego de medidas coercitivas, sem mediação, não pode ser reconhecido como um meio legítimo de enfrentamento de conflitos no interior da Universidade. Independentemente das diferentes avaliações acerca da ocupação e dos acontecimentos que marcaram os últimos dias, o recurso à violência policial não constitui caminho legítimo para a resolução de conflitos no espaço universitário. A proteção da integridade física e psicológica da comunidade universitária deve ser assegurada em qualquer circunstância. A Direção se solidariza com todas as pessoas afetadas por essa violência e considera fundamental a imediata apuração dos acontecimentos e das responsabilidades envolvidas.

Direção do Instituto de Psicologia”

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Nota do Instituto de Química da USP

“A Diretoria do Instituto de Química repudia a violência contra os estudantes durante a ação da Polícia Militar.

A operação aconteceu de madrugada após inúmeros pedidos públicos das unidades da USP para que o diálogo fosse a ferramenta de negociação.

Tal escalada na violência não contribui para a resolução dos problemas de permanência, moradia e alimentação apontados pelos alunos.

Diretoria do Instituto de Química”

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Nota da Faculdade de Saude Pública da USP

COMUNICADO DA DIREÇÃO DA FSP

A Direção da Faculdade de Saúde Pública da USP manifesta seu veemente protesto diante da violenta desocupação do prédio da Reitoria ocorrida na madrugada deste domingo, Independentemente de avaliações acerca da legitimidade ou dos métodos empregados na mobilização estudantil, é inadmissível o uso de violência policial no interior da universidade, espaço que deve ser permanentemente orientado pelos princípios do diálogo, da convivência democrática, da liberdade de expressão e do respeito aos direitos humanos. A universidade pública constitui um ambiente de formação crítica, produção de conhecimento e pluralidade de ideias. Nessas circunstâncias, ações repressivas e desproporcionais comprometem não apenas a segurança física e emocional da comunidade universitária, mas também os valores institucionais que sustentam a vida acadêmica e democrática. É imprescindível que sejam adotadas medidas imediatas de proteção à comunidade universitária com os devidos esclarecimentos sobre as circunstâncias da operação realizada durante a madrugada. A Direção da FSP reafirma sua defesa incondicional da integridade de estudantes, entendendo que conflitos e tensões inerentes à vida universitária devem ser tratados por meio da escuta, da mediação e da construção coletiva de soluções. Clamamos, portanto, pela imediata retomada do diálogo institucional, único caminho legítimo e democrático para o enfrentamento das divergências e dificuldades que atravessam a universidade neste momento.

São Paulo, 10 de maio de 2026.”

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Nota da Faculdade de Medicina 

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Nota da Faculdade de Educação da USP

São Paulo, 10 de maio de 2026.

NOTA DA DIRETORIA E DAS CHEFIAS DE DEPARTAMENTO DA FE USP

A diretoria da FE USP manifesta seu mais veemente repúdio à violência material e simbólica da ação policial ocorrida nesta manhã. Ela põe em risco tanto a integridade física dos estudantes como o espírito da vida universitária, o que nos parece inaceitável. Reiteramos aqui a posição assumida em nota anterior: a solução dos conflitos inerentes à vida universitária e ao convívio democrático exige diálogo e busca de soluções coletivas, por mais lento e trabalhoso que seja esse processo. Clamamos, portanto, pela imediata apuração das circunstâncias que desencadearam essa ação e pela retomada do diálogo institucional, único caminho legítimo para o enfrentamento das dificuldades que atravessam a universidade neste momento.”

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Nota do Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social da Faculdade de Direito da USP

O Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social da USP repudia veementemente o atentado ao Estado de Direito perpetrado pela violência policial cometida contra estudantes que ocupavam a reitoria, na madrugada do dia 10/05/2026. Ao que se tem notícia, a PM sequer agiu em cumprimento de uma decisão judicial, promovendo, de forma arbitrária, portanto, o uso da força sem quaisquer parâmetros judicialmente pré-fixados e, assim, provocando lesões e até pondo em risco a vida dos(as) estudantes, além da realização de prisões de 08 estudantes. Toda essa violência talvez se explique pela própria origem do conflito. Finalmente admitidos depois de décadas de exclusão, estudantes da classe trabalhadora, grande parte, negros e negras, reivindicam condições mínimas de permanência universitária, como moradia e alimentação decentes. Especificamente neste episódio, ocupavam tentando reabrir a mesa de negociação encerrada unilateralmente e sem aviso prévio pela própria Reitoria. Nesta sequência de violência escalada, que vai da negativa de diálogo ao uso do aparato policial do estado contra estudantes em ocupação pacífica, sem comunicação prévia e na madrugada do dia das mães, evidência que a USP ainda trata parte de seus alunos como invasores da propriedade privada que a elite sempre usufruiu. Isso é inadmissível e deve ser repudiado com vigor. A USP pertence à classe trabalhadora que a sustenta! São Paulo, 10 de maio de 2026.

Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social

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Nota da ECA-USP

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Nota do Departamento de História da USP

“Nota contra a violência policial

A Chefia do Departamento de História condena com veemência o uso da violência pela Polícia Militar contra os estudantes que ocupavam o prédio da Reitoria, resultando em presos e feridos. Independentemente da posição que se tenha sobre a estratégia dos estudantes, é inaceitável recorrer à repressão policial para resolver o problema.

A Universidade é espaço de reflexão e diálogo. Assim se produzem conhecimentos, ideias e consciências. Em cenário de discordância e tensão, como o que hoje atravessamos na USP, é preciso relembrar a necessidade e a urgência de negociações e de respeito pelas diferenças de opinião.

Miriam Dolhnikoff
Chefe do Departamento de História
Júlio Pimentel
Vice-Chefe do Departamento de História”

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Nota do IEB -USP

 

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Nota da Esalq-USP

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Nota da Escola de Enfermagem da USP

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Nota da Adusp 

“Contra a violência policial e em defesa da resolução democrática de conflitos na USP Diretoria da Associação de Docentes da USP A Adusp repudia veementemente a ação violenta da Polícia Militar contra a ocupação da reitoria da USP, então ocupada por estudantes, e manifesta profunda preocupação com a decisão da reitoria de abandonar o caminho do diálogo e optar pela repressão policial para lidar com um conflito político na universidade. Na segunda passada, estudantes estavam em processo de negociação com a reitoria quando foram surpreendidos, durante a reunião do CRUESP com o Fórum das Seis, em 04/05/26, pelo anúncio à imprensa do encerramento unilateral das negociações. Inconformados com essa ruptura abrupta do diálogo, decidiram ocupar, na quinta-feira, o prédio da reitoria e, ao longo dos dias de mobilização, buscaram reiteradamente retomar os canais de negociação. A ação dos estudantes teve como objetivo explícito reivindicar um espaço legítimo de negociação com a reitoria. Ainda assim, a administração central recusou-se sistematicamente a construir uma saída negociada. A universidade deveria cumprir o seu papel social e pedagógico na construção de formas democráticas de resolução de conflitos por meio do diálogo, especialmente em situações que envolvam sua própria comunidade. A reitoria teve diversas oportunidades de retomar as negociações e, lamentavelmente, optou pela saída violenta, recorrendo à força policial. Relatos sobre a operação policial, realizada durante a madrugada, mencionam o uso de bombas, gás, agressões físicas, detenções arbitrárias e práticas humilhantes contra estudantes durante a reintegração. A opção por uma ação da PM contra estudantes da própria universidade agrava desnecessariamente a situação e contribuiu para um cenário de violência que poderia ter sido evitado pelo diálogo e pela mediação institucional. A USP não pode banalizar ou normalizar a presença da polícia como instrumento para a resolução de conflitos internos da comunidade universitária. Defendemos a democracia e o diálogo em todas as esferas da USP, princípios básicos para a construção de uma universidade genuinamente para todas(os).

São Paulo, 10 de maio de 2026″

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Nota da Adunicamp

NOTA DE REPÚDIO DA ADUNICAMP

A ADunicamp repudia a violenta ação policial realizada na madrugada deste 10 de maio na reitoria da USP contra estudantes em mobilização. O uso da força, com agressões, bombas e detenções, é incompatível com os princípios democráticos que devem orientar a vida universitária e o tratamento das reivindicações estudantis.

A presença policial para reprimir manifestações dentro da universidade representa um grave ataque à autonomia universitária, ao direito de organização e à livre expressão política. Conflitos e divergências devem ser enfrentados por meio do diálogo e da negociação, nunca pela violência.

A ADunicamp defende a imediata reabertura das negociações entre a reitoria e o movimento estudantil, com disposição efetiva para o diálogo e para a construção de soluções que garantam condições dignas de permanência e estudo.

A universidade pública deve ser permanentemente um espaço democrático, de liberdade, participação e construção coletiva.

Campinas, 10 de maio de 2026.

Diretora da ADunicamp

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Nota da Adunesp

“Repúdio à violência policial na USP! A Universidade pública exige diálogo democrático e respeito com os filhos e as filhas dos trabalhadores

A Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp) manifesta apoio e solidariedade aos/às estudantes da USP, vítimas de violência policial na madrugada de 10/5/2026. A ação da PM contra a ocupação pacífica na reitoria da Universidade, iniciada em 7/5, responsabilidade exclusiva do reitor Aluísio Segurado e do governador Tarcísio de Freitas, mobilizou dezenas de policiais armados com cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Vários estudantes ficaram feridos e quatro foram detidos, sendo liberados algumas horas depois.

Trata-se de ação ilegal, sem determinação de reintegração de posse e feita na madrugada.

A ocupação da reitoria, em meio à greve iniciada pelos estudantes há quase um mês, em luta por melhorias nas condições de estudo e permanência, ocorreu após o rompimento unilateral das negociações por parte da reitoria. Um profundo desrespeito com o segmento que é a razão de existir da universidade pública, além de uma profunda incapacidade de lidar com as demandas do crescente número de filhos e filhas da classe trabalhadora que ingressam na universidade e que têm o direito de ver garantidas as condições mínimas para que nela permaneçam.

A Adunesp repudia a agressão e reivindica ao reitor da USP que dê fim ao impasse, reabrindo as negociações e estabelecendo o diálogo democrático com as entidades representativas.

São Paulo, 10 de maio de 2026.

Diretoria da Adunesp Central”

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Nota do Sintunesp, o Sindicato dos Trabalhadores da Unesp

” Violência policial, não!

Os estudantes querem diálogo e condições dignas de permanência estudantil

O Sindicato dos Trabalhadores da Unesp (Sintunesp) repudia a violenta ação policial na reitoria da USP, na madrugada de 10/5/2026, autorizada pelo reitor Aluísio Segurado e pelo governador Tarcísio de Freitas. Armados de cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, os policiais invadiram o local às 4h15 da manhã, deixando vários estudantes feridos e levando quatro deles presos, liberando-os horas depois.

A razão que levou os estudantes à ocupação da reitoria, em meio à greve que realizam desde 14/4, foi o rompimento unilateral das negociações por parte da reitoria. Eles reivindicam condições dignas de permanência estudantil, que garantam a manutenção dos filhos e das filhas da classe trabalhadora que ingressam cada dia mais na universidade pública.

Da reitoria, espera-se abertura ao diálogo democrático e não intransigência e violência.

O Sintunesp conclama o reitor da USP à reabertura imediata das negociações.

São Paulo, 10 de maio de 2026.

Sintunesp”

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Nota do Fórum das Seis

Desocupação policial na madrugada, violência e desrespeito aos estudantes: Esse não é o caminho para a Universidade pública, reitor Aluísio!
PELA IMEDIATA REABERTURA DAS NEGOCIAÇÕES
O Fórum das Seis – que congrega as entidades sindicais e estudantis da Unesp, Unicamp, USP e Centro Paula Souza – repudia com veemência a violenta ação policial na reitoria da USP, na madrugada de 10/5/2026. Armados de cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, dezenas de policiais invadiram o local às 4h15 da manhã, ferindo estudantes e levando presos quatro deles, liberados horas depois.
Em greve há quase um mês, os estudantes ocupavam a reitoria desde o dia 7/5, em protesto contra o rompimento unilateral das negociações por parte do reitor Aluísio Segurado. A desocupação policial, eivada de ilegalidades – sem determinação de reintegração de posse e feita na madrugada – é de total responsabilidade do reitor da USP e do governador Tarcísio de Freitas que, segundo notícias na imprensa, a planejaram detalhadamente nos últimos dias.
As cenas de violência da ação policial mancham a história da USP, trazendo à lembrança os sombrios períodos da ditadura militar-empresarial.
Universidade pública é local de diálogo democrático!
O Fórum das Seis insta o reitor Aluísio Segurado a reabrir as negociações com as entidades representativas e dialogar efetivamente sobre as justas reivindicações dos estudantes, que lutam por condições dignas de estudo e permanência.
São Paulo, 10 de maio de 2026.
Fórum das Seis”
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Nota das Comissões de Inclusão e Pertencimento da USP
São Paulo, 10 de maio de 2026
Nota pública das Presidências das Comissões de Inclusão e Pertencimento da USP
As Presidências das Comissões de Inclusão e Pertencimento da Universidade de São Paulo, das Unidades signatárias desta nota, manifestam profunda preocupação e veemente repúdio à violência praticada contra estudantes da USP no contexto da desocupação do prédio da Reitoria. A retirada forçada de estudantes, realizada por meio de ação policial, representa grave escalada de um conflito que deveria ser enfrentado no âmbito da própria Universidade por meio do diálogo, da escuta qualificada, da mediação institucional e da construção democrática de soluções. A presença da força policial como resposta a reivindicações estudantis não pode ser naturalizada como instrumento legítimo de resolução de conflitos universitários. Independentemente das distintas posições acerca da ocupação e dos acontecimentos recentes, reafirmamos que a integridade física, psicológica e moral das pessoas que compõem a comunidade universitária deve ser protegida em qualquer circunstância. O respeito à dignidade humana, ao direito de livre manifestação, à organização coletiva e à participação política é condição fundamental para a vida acadêmica e para a missão pública da Universidade. A Universidade de São Paulo, como instituição pública, plural e comprometida com o ensino, a pesquisa, a extensão, a inclusão e a permanência estudantil, deve ser espaço de convivência democrática, capaz de acolher conflitos e dissensos sem recorrer à intimidação, à repressão ou à criminalização de estudantes. Diante da gravidade da situação, conclamamos à retomada urgente do diálogo e da negociação, com respeito mútuo, responsabilidade institucional e compromisso com a superação democrática do impasse. Também consideramos fundamental que os acontecimentos e violações sejam devidamente apurados, com transparência e garantia de direitos humanos. As Comissões de Inclusão e Pertencimento têm como princípio a defesa de uma Universidade mais justa, diversa, democrática e acolhedora. Por isso, reafirmamos nosso compromisso com a dignidade humana, com o direito à livre manifestação e com a institucionalidade democrática como fundamentos indispensáveis da vida universitária. Assinam essa nota as Presidências das Comissões de Inclusão e Pertencimento: Escola de Artes, Ciências e Humanidades  Escola de Comunicações e Artes  Escola de Enfermagem  Escola Politécnica  Faculdade de Ciências Farmacêuticas  Faculdade de Direito de São Paulo (Largo São Francisco)  Faculdade de Educação  Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto  Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas  Faculdade de Medicina  Faculdade de Saúde Pública  Instituto de Arquitetura e Urbanismo  Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação  Instituto de Geociências  Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação  Instituto de Psicologia  Instituto de Química  Museu de Arqueologia e Etnologia  Museu de Arte Contemporânea  Museu Paulista”
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Nota da Rede Não Cala da USP
“Pessoas são o nosso maior patrimônio. A Rede Não Cala de Professoras e Pesquisadoras da USP repudia fortemente a truculenta ação policial realizada nesta madrugada na ocupação estudantil. A atual greve de estudantes constituiu-se como uma forma de chamar a atenção da comunidade universitária e da sociedade para as dificuldades concretas enfrentadas por muitos e muitas estudantes para permanecerem na universidade. Não ignoramos os possíveis impactos e prejuízos decorrentes da ação, mas compreendemos que ela emerge de demandas legítimas e urgentes relacionadas ao direito à permanência estudantil digna. As pautas estudantis, especialmente ligadas à permanência, são legítimas e fundamentais porque o perfil da universidade, felizmente, vem se modificando, o que coloca a demanda por apoio à permanência como tema prioritário para sua administração. A ocupação foi resultado da interrupção unilateral dos processos de negociação em curso com estudantes por parte da reitoria. Durante a ocupação, não houve registros de violência física. Nesse sentido, causa profunda preocupação que a desocupação tenha ocorrido por meio de uma ação policial marcada pelo uso de bombas de efeito moral, agressões com cassetetes e detenções de estudantes. Esse ato violento de desocupação ocorrido nesta madrugada, em nosso entendimento, expressa uma reação desproporcional, que excede os limites da necessidade, da legalidade e da proporcionalidade, previstos em tratados internacionais de direitos humanos e que devem orientar as ações de toda gestão pública. Colocar a tropa de choque da PM, agindo de forma truculenta, para a desocupação é medida proporcionalmente inversa à construção de uma Universidade que preza pela educação, pelo cuidado e pela democracia. Por isso, fazemos coro a uma indagação estudantil: “há violência maior ao ‘patrimônio’ da Universidade do que agredir seus estudantes?” Mais do que a preservação das portas e grades, a gestão reitoral deve expressar o patrimônio acumulado nas últimas décadas de compromisso com a defesa dos direitos humanos e com o enfrentamento a todo tipo de violência. Na defesa desse valioso patrimônio, conclamamos à reabertura de negociações.
Rede Não Cala! Professoras e Pesquisadoras da USP pelo fim da violência sexual e de gênero.”
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Leia também a nota divulgada pelo DCE-Livre da USP
Estudantes feridos e detidos, Aluísio a culpa é sua! A Reitoria da USP escolheu relembrar o período mais sombrio de nossa história ao optar pela violência contra seus estudantes!

Nota do DCE Livre da USP sobre a violenta desocupação da Reitoria

Na madrugada deste domingo (10/05), por volta das 4h15, dezenas de policiais militares invadiram a ocupação da Reitoria da USP construída pelos estudantes desde quinta-feira. Essa ação teve como resultado dezenas de estudantes feridos através de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes, da formação de um corredor polonês para espancamento e quatro estudantes detidos.

A ação, de responsabilidade do reitor Aluísio Segurado e de seu chefe de gabinete Edmilson Dias de Freitas, deve ser profundamente repudiada por toda a comunidade universitária. A USP já foi tomada por períodos sombrios de autoritarismo, e a Reitoria da USP, no dia de hoje, escolheu relembrar esses períodos da pior forma possível, recusando o diálogo e optando pela força e pela violência da Polícia Militar. Aluísio, Edmilson e o conjunto da Reitoria escolheram ignorar as reivindicações por melhores políticas de permanência de dezenas de milhares de estudantes e reprimir alunos e alunas que sustentam cotidianamente o ensino, a pesquisa e a extensão dentro da universidade, tudo isso em pleno Dia das Mães.

Além disso, essa ação ocorre de forma abusiva eivada de ilegalidade, vez que ocorre sem qualquer determinação judicial que pudesse embasar a ação policial. É preciso apontar que, mesmo em situações em que há determinação de reintegração de posse (o que não é o caso), existe um conjunto de regras que orientam o procedimento de desocupação, entre as quais a ilegalidade da realização de operações entre às 21h e 5h, algo pacífico nos tribunais.

Segundo apurado, o que motivou a operação policial que espancou, deteve estudantes e destruiu materiais, teria sido o flagrante de esbulho. Trata-se de motivação espúria, vez que o ordenamento jurídico prevê que para que se cesse tal situação, a medida cabível é ação judicial, o que, reitera-se, não ocorreu, sendo mais um elemento de ilegalidade.

É importante ressaltar: a ocupação já passava de 60 horas, não havia qualquer sinal de violência ou grave ameaça a qualquer pessoa, a operação ocorreu fora do horário de funcionamento administrativo, e a todo momento houve acompanhamento policial.
Ainda no rol das ilegalidades, não há qualquer informação sobre a motivação real para a detenção de quatro estudantes, ou mesmo, quais condutas lhes foram imputados para que ensejasse o encaminhamento destes estudantes à 7ª DP, isso sem mencionar nos registros de policiais vasculhando itens pessoais, mochilas e barracas sem a presença de agente de perícia ou qualquer acompanhamento.

Assim, questiona-se: por que a polícia militar esperou a madrugada, enquanto estudantes dormiam, para realizar a operação? Por que não houve mediação? Por que agora? Por que os estudantes foram detidos e não há transparência? Por que objetos pessoais estão sendo vasculhados de forma arbitrária?

Na prática, Aluísio e Edmílson aliaram-se à truculência policial de Tarcísio de Freitas, e à ilegalidade, trazendo à tona uma marca assombrosa de repressão e intransigência, algo já denunciado pelos estudantes durante todo período da greve, e que motivou a ocupação.

Nos últimos dias, diversas unidades da nossa universidade publicaram notas de repúdio à ocupação por a caracterizarem como “violenta” e declararam “apoio irrestrito” à Reitoria. Nos questionamos: alguma ação por parte dos estudantes chegou perto da violência levada a cabo pela Polícia Militar na madrugada do dia de hoje? Há violência maior ao “patrimônio da universidade” do que agredir seus próprios estudantes? As diretorias e os docentes da USP serão coniventes com uma Reitoria que escolheu, mesmo depois dos múltiplos apelos ao diálogo, protagonizar um dos episódios mais violentos da história recente dentro da nossa universidade, justamente no ano em que o DCE Livre da USP, fundado na luta contra a ditadura militar, completa 50 anos?

Os estudantes querem saber: Aluísio e Edmilson, por que escolheram ameaçar a integridade física e emocional dos estudantes? Por que escolheram ignorar as reivindicações dos estudantes pelo básico, como comida decente e moradia digna? O que vão dizer para as mães das centenas de estudantes que vão precisar consolar seus filhos hoje após essa ação truculenta?

A atual Reitoria da USP envergonha nossa história e toda a comunidade acadêmica. Diante de tudo, os estudantes, representados pelo DCE Livre da USP Alexandre Vannucchi Leme, reafirmam: nossos passos vêm de longe, nossa história é de lutas e não iremos parar por aqui.

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