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GREVE CONTINUA

Congregação da FFLCH-USP repúdia violência policial contra estudantes e exige que reitor reabra negociação

Fachada do prédio da administração da FFLCH-USP, onde a Congregação da Faculdade se reúne Foto: Rafael Dourador / Serviço de Comunicação Social da FFLCH USP

14 de maio de 2026 - 09h47

Por Lúcia Rodrigues

A Congregação da FFLCH-USP, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, a mais alta instância da Faculdade, que reúne diretor e vice-diretora, presidentes das Comissões de Graduação, Pós-Graduação, Pesquisa e Cultura e Extensão, chefes de Departamentos, entre outros, divulgou nota nesta quarta-feira, 13, em que repudia a truculência da PM contra os estudantes e exige a retomada imediata das negociações pela reitoria.

O texto também considera que o rompimento das negociações pelo reitor, Aluísio Segurado, foi determinante para o impasse que culminou na invasão da reitoria pela PM, com a agressão aos estudantes em greve.

O professor de História da USP, Osvaldo Coggiola, é ainda mais contundente na crítica a Segurado.

“O reitor lavou as mãos, declarou que não tinha nada a ver com a repressão, que não havia sido consultado sobre a invasão da PM. Mas um fato de tamanha envergadura não recebeu uma reação à altura por parte dele. Se uma Universidade autônoma é invadida pela PM, o reitor tem de se levantar imediatamente em defesa da Universidade. Mas a única coisa que ele fez foi lavar as mãos. Demonstrando que não tem condições de ocupar o cargo”, alfineta.

Ao final da tarde desta quarta, a reitoria divulgou uma portaria em que designa nomes para a criação de um Grupo de Moderação e Diálogo Institucional.

O nome que encabeça a lista da reitoria é o de uma professora da PUC-SP, a Pontíficia Universidade Católica de São Paulo, o que demonstra mais uma vez que o reitor empurra as responsabilidades que deveria assumir para outrem.

Veja abaixo a minuta divulgada. E na sequência leia a íntegra da nota da Congregação da FFLCH-USP, que também critica a postura do governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por elogiar a invasão da PM à retoria da USP. O texto pede ainda que os pertences dos estudantes, apreendidos pela PM, sejam devolvidos.

A Congregação destaca a postura correta da direção da Faculdade de Saúde Pública, que impediu a invasão da PM ao prédio da Faculdade na última segunda-feira, 11, que desalojaria os estudantes em greve.

“Declaração e propostas da Congregação da FFLCH

A Congregação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, reunida no dia 13 de maio de 2026, considera que as reivindicações que deram origem à greve estudantil, principalmente aquelas referentes aos auxílios de permanência, são legítimas e precisam estar na agenda política e financeira da Universidade. Avalia que o impasse gerado a partir do encerramento das negociações por parte da reitoria resultou em um aprofundamento e extensão do conflito. Para favorecer uma saída democrática e o mais breve possível deste entrave, formula as seguintes propostas e encaminhamentos:

– Retomada imediata das negociações entre a reitoria e o movimento estudantil, com fixação e data próxima. Nessa negociação, as partes deveriam priorizar acordos sobre os auxílios de permanência, que, na palavra dos estudantes, aparecem como o principal impeditivo para que a greve seja encerrada. Esse encerramento não deveria impedir que as negociações sobre moradia, restaurantes e outros itens de pauta continuem a acontecer ao longo do semestre.

– Flexibilização do calendário, para que cada unidade possa decidir os modos de recomposição das atividades do semestre. A Faculdade rejeita, a respeito, pressões punitivistas que restrinjam sua autonomia.

– Esclarecimentos precisos sobre todos os passos institucionais, internos e externos à USP, que culminaram na desocupação violenta do prédio da reitoria pela Polícia Militar na madrugada do domingo 10/5. A subsequente tentativa, no dia 11/5, por parte da Polícia Militar, de ingressar em dependências da FSP depois da mobilização de estudantes, docentes e funcionários, oportunamente impedida pela direção da unidade, bem como as declarações do governador do Estado elogiando a ação policial de 10/5, configuram um cenário de crescente questionamento e desestabilização da autonomia universitária. Impõe-se, portanto, a necessidade uma manifestação nítida da Administração Central em defesa da autonomia.

– A Congregação manifesta repúdio à violência perpetrada no domingo contra as e os estudantes, respaldando as notas veiculadas pela direção e por departamentos e centros desta Faculdade, e verifica hoje que a brutalidade da intervenção policial trouxe como consequência vários feridos, incluindo uma aluna desta Faculdade que teve o braço quebrado por um cassetete. Ainda sobre a truculência policial, o colegiado solicita à reitoria que demande da Polícia Militar a entrega à Universidade dos pertences que ainda estão retidos na delegacia. É fundamental que a devolução posterior desses pertences aos seus proprietários seja realizada nos mesmos moldes acordados entre a PRIP e o DCE para os objetos que ficaram no prédio da Reitoria.

Por último, mas não menos importante, considerando que, nos momentos mais críticos deste processo, não foram ativadas as possibilidades institucionais de mediação de conflitos, a Congregação reivindica uma resolução negociada desta crise, sem criminalização nem punição administrativa ao movimento estudantil.

São Paulo, 13 de maio de 2026.”

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